quarta-feira, 16 setembro, 2026 12:36
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MS libera plantio da soja nesta quarta-feira após fim do vazio sanitário

de Redação Bonitonet
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Produtores já podem iniciar a semeadura da safra 2026/2027, mas ritmo dependerá das condições de umidade do solo

A soja pode voltar a ser plantada em Mato Grosso do Sul a partir desta quarta-feira (16), dando início oficialmente à janela de semeadura da safra 2026/2027. O calendário permite o plantio até 31 de dezembro e marca o fim do vazio sanitário, que começou em 15 de junho e terminou nesta terça-feira (15).

A medida fitossanitária impede durante o período a manutenção de plantas vivas de soja, inclusive as chamadas guaxas ou tigueras, que nascem espontaneamente após a colheita. O objetivo é interromper o ciclo do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática, e reduzir a pressão da doença sobre as lavouras da nova safra.

Apesar da abertura oficial do calendário, o plantio não deve avançar no mesmo ritmo em todas as regiões. A decisão de iniciar a semeadura depende das condições de umidade do solo, principalmente neste período de transição entre a estação seca e chuvosa.

Para setembro, outubro e novembro, a previsão indica chuvas próximas ou acima da média em Mato Grosso do Sul, mas com possibilidade de distribuição irregular. As temperaturas também tendem a ficar acima da média, com risco de períodos de calor intenso, segundo as informações utilizadas pela Aprosoja/MS no planejamento da nova safra.

Produtividade deve ser menor

A estimativa inicial do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, aponta produtividade média de 52,4 sacas de soja por hectare na safra 2026/2027. O número representa uma redução de 13,2% em relação à produtividade registrada no ciclo anterior.

A projeção ainda é inicial e pode sofrer alterações ao longo do desenvolvimento das lavouras. Entre os fatores que poderão influenciar o resultado estão o volume e a regularidade das chuvas, as temperaturas, o manejo das plantações e a ocorrência de pragas e doenças.

A safra anterior teve desempenho superior ao inicialmente esperado. Em abril, a Aprosoja/MS revisou a estimativa de produtividade da temporada 2025/2026 para 61,73 sacas por hectare, após a ampliação das avaliações de campo.

Custos passam de R$ 5 mil por hectare

O início da nova temporada ocorre também em um cenário de custos elevados para os produtores. Estudo da Aprosoja/MS estima em R$ 5.024,82 o custo total para produzir um hectare de soja, considerando como referência a produtividade de 52,4 sacas e preço de R$ 119,52 por saca.

Nesse cenário, o produtor precisa colher aproximadamente 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir o custo total da produção. Mantida a produtividade de referência de 52,4 sacas, a margem líquida projetada é de R$ 1.238,03 por hectare.

Para produtores que trabalham em áreas arrendadas, a conta fica mais elevada. Considerando um arrendamento equivalente a 15 sacas por hectare, o custo estimado sobe para R$ 6.817,62 por hectare, enquanto o ponto de equilíbrio passa para 57,04 sacas por hectare.

Produtores preparam as lavouras

Com a abertura da janela de plantio, produtores concentram os trabalhos na preparação das áreas. Entre as atividades estão análise e correção do solo, adubação, revisão de máquinas, aquisição de sementes e defensivos e dessecação das lavouras.

Um dos pontos de atenção é o controle de plantas daninhas antes da entrada das máquinas para a semeadura. A orientação técnica é deixar as áreas limpas para reduzir a competição com a soja desde os primeiros estágios de desenvolvimento.

A recomendação ganha importância principalmente diante da presença de plantas invasoras como a buva, que pode dificultar o estabelecimento da cultura e aumentar a competição por água, luz e nutrientes.

Vazio sanitário termina e plantio é liberado

Durante os 90 dias do vazio sanitário, os produtores precisaram eliminar plantas de soja que permanecessem vivas nas propriedades. A regra também alcança as plantas voluntárias, conhecidas como guaxas ou tigueras.

A medida é considerada uma das principais estratégias para reduzir a sobrevivência da ferrugem-asiática durante a entressafra. Sem plantas hospedeiras, a quantidade de inóculo do fungo tende a diminuir, reduzindo a pressão da doença no início do novo ciclo.

Em 2026, a Aprosoja/MS informou que foram identificadas 70 ocorrências de ferrugem-asiática na safra 2025/2026, contra 12 registros no ciclo anterior, reforçando a necessidade de atenção ao manejo fitossanitário.

A janela de semeadura da soja em Mato Grosso do Sul fica aberta de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2026. O cadastro das áreas plantadas também é obrigatório junto à Iagro.

Com o calendário oficialmente aberto, os produtores iniciam agora uma nova etapa da safra. O ritmo do plantio, porém, deverá acompanhar as condições de cada região, especialmente a umidade disponível no solo e a regularidade das primeiras chuvas.

Fonte:EFMS

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