terça-feira, 1 setembro, 2026 12:53
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Em contrastes de lilás e vermelho, agosto foi marcado por sete feminicídios em Mato Grosso do Sul 

de Redação Bonitonet
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Sete mulheres tiveram as vidas interrompidas em apenas 31 dias. Esse é o reflexo do mês de agosto, dedicado à conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher, que, por outro lado, foi sangrando para elas em Mato Grosso do Sul. Em média, uma mulher foi morta a cada quatro dias.

Rose, Adriana, Nathalia, Joseane, Fátima, Marta e Adrieli não se tornaram números ou estatísticas; são mulheres que tiveram suas vidas interrompidas de forma brusca e violenta. Elas eram filhas, mães, irmãs e amigas que deixaram um vazio no caminho de quem ficou por aqui e tenta resignificar a vida sem elas.

Entre os oito meses de 2026, agosto foi, sim, o mais violento para elas. Segundo os dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, foi justamente neste mês que sete delas perderam a vida, sendo a maioria de forma violenta.

Em 2025, 3 mil mulheres solicitaram medidas protetivas. (Ilustração – Giovana Gabrielle, Midiamax)

Agosto Lilás

Além dos óbitos registrados, já são mais de 14 mil registros de violência doméstica existentes. De um lado, o mês com a temática lilás chamou a atenção para o fim da violência; de outro, as mulheres foram agredidas e mortas pelos seus companheiros.

Para Estela Márcia Rondina Scandola, que é integrante da Rede Feminista e pesquisadora da Escola de Saúde do SUS (Sistema Único de Saúde), a violência está se intensificando no mês em que as ações são intensificadas.

“É um cenário que nós estamos vivendo, que, de um lado, a gente tem a mobilização, mas, do outro lado, também a gente tem as agressões se intensificando. Percebemos que, primeiro, temos uma intensificação da violência e um cenário imenso de violência, mas, de outro lado, a gente tem uma manutenção da normalidade da violência. Isso é um sinal de autorização social pelo aumento da violência”, disse Estela.

O ciclo de violência nem sempre começa na agressão física; uma simples mensagem pode se transformar em violência psicológica e está aí a importância de maximizar o risco.

“Tem uma regra que eu acho fundamental: em quaisquer situações de violação de direito, a gente precisa maximizar o risco. O cara passou uma mensagem grosseira, maximiza o risco, depois dessa mensagem vem o que? E a partir do risco, você precisa potencializar a proteção, juntar-se a outras mulheres, denunciar e, em caso de emergência, ligar para a polícia, ou seja, você precisa potencializar a proteção”, frisou a especialista.

Medidas Protetivas de Urgência 

A chamada MPU (Medida Protetiva de Urgência) é uma ferramenta de proteção para mulheres vítimas de agressão. Neste cenário, somente neste ano, cerca de 13.372 foram solicitadas no Mato Grosso do Sul, sendo que 11.458 foram concedidas e 1.299 prorrogadas. 

Em cenário de risco, mais de 1.985 mulheres acionaram a PM (Polícia Militar) por meio do 190 para informar o descumprimento da medida. Os números retratam parcialmente a realidade das mulheres que decidiram quebrar o silêncio e romper o ciclo de violência.

Isso porque a quebra do silêncio junto ao ciclo ainda é uma tarefa difícil para muitas delas. “A violência doméstica é complexa e as circunstâncias que dificultam o rompimento do ciclo são várias; podem ser o controle emocional, a vergonha da família ou da sociedade, a dependência financeira, a preocupação com os filhos, o medo, a esperança de que o agressor vai mudar o comportamento”, explicou a delegada Fernanda Piovano, titular da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Delegada Fernanda Piovano (Foto: Arquivo, Henrique Arakaki, Midiamax)

Reconhecer alguns comportamentos do companheiro pode facilitar a quebra do ciclo ou até mesmo evitar entrar nele. “Comportamentos que indicam ciúmes excessivo, controle sobre a vida e liberdade da vítima, controle das suas ações, decisões e comportamentos, ameaças, isolamento e limitação de direitos são sinais que indicam a existência do ciclo de violência, o qual, se não rompido, pode se agravar e levar à agressão física”, explica.

Delegacia à disposição

Muitos pensam que ir até a 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) é apenas para a formalização de uma denúncia de crime que já aconteceu, seja ele de ameaças ou agressões. No entanto, a Delegacia de Atendimento à Mulher possui diversos atendimentos, incluindo orientação.

“Estamos disponíveis para atendimento, esclarecimentos de dúvidas e registro de ocorrências. Também há um setor psicossocial que funciona 24 horas para atendimento das vítimas e orientações”, pontuou.

Atualmente existem alguns canais de denúncias, como o Ligue 180, do Ministério das Mulheres. Por lá, são aceitas denúncias de forma anônima.

O caso foi registrado na Deam. (Foto: Eliel Dias, Arquivo Midiamax)

Feminicídio

O feminicídio é tipificado como qualquer morte violenta de mulheres motivada por questões de gênero. Em 2015, entrou em vigor a Lei do Feminicídio (Lei 13.104/15), o assassinato de mulheres por serem mulheres. Assim, a lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima.

A Lei 14.994, de 2024, aumentou a pena para os condenados pelo crime de feminicídio, que passou a ser de 20 a 40 anos de prisão, maior do que a incidente sobre o de homicídio qualificado (12 a 30 anos de reclusão).

Feminicídios em 2026:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
  • Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
  • Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
  • Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
  • Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
  • Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
  • Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
  • Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
  • Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
  • Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
  • Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
  • Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
  • Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
  • Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
  • Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
  • Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
  • Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
  • Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
  • Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
  • Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto;
  • Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto;
  • Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto;
  • Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto;
  • Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

Fonte:MM

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