Criar pequenos objetos e animais em argila é uma prática milenar capaz de dar vida ao imaginário. Contornos, formas e texturas ganham significado nas mãos de quem modela, em um processo que exige precisão e paciência. Em Bonito, essa tradição ganha uma abordagem ligada à identidade regional durante uma das atividades do Festival de Inverno.
A 25ª edição do Festival de Inverno de Bonito, realizada de 26 a 30 de agosto, reúne atrações artísticas, cultura, artesanato e shows nacionais gratuitos na cidade conhecida como a capital do ecoturismo de Mato Grosso do Sul. Entre as atividades estão cinco oficinas criativas, incluindo a de bichinhos de cerâmica, além de ações de personalização de capivaras de pelúcia, economia circular e upcycling e duas oficinas de customização de ecobags.

À frente da vivência “Bichinhos de Cerâmica”, a ceramista Samara Bertoches, de 28 anos, trabalha com a técnica há três anos. A proposta, segundo ela, é oferecer ao público uma primeira aproximação com a cerâmica e mostrar que a produção artística não depende de equipamentos sofisticados. Colheres, palitos de churrasco e esponjas podem se transformar em instrumentos de modelagem. “A cerâmica tem como ser um acesso para todos”, afirma. As peças produzidas na oficina também seguem uma temática regional, inspirada em animais do Pantanal e na fauna de Mato Grosso do Sul.
Mais do que ensinar uma técnica, Samara pretende aproximar os participantes do artesanato e da biodiversidade do Estado. A atividade é aberta a crianças e adultos, sem necessidade de experiência prévia. Para a ceramista, um dos aspectos mais interessantes da oficina está justamente na diversidade dos resultados. Embora todos recebam as mesmas orientações, cada participante imprime sua própria interpretação à peça, transformando o exercício técnico em uma experiência individual.
Um dos participantes é o engenheiro florestal Kelvin Monson, de 34 anos. Natural de Aquidauana e morador de Bonito há cinco anos, ele chegou à oficina motivado pela relação que mantém com a cerâmica produzida por povos originários de Mato Grosso do Sul, especialmente Terena e Kadiwéu. Kelvin já possui peças indígenas em casa e vê na atividade uma oportunidade de levar para sua coleção um objeto feito por ele próprio. Na oficina, escolheu modelar um tamanduá, animal frequente na região e cuja morfologia e comportamento despertam sua admiração.
A experiência também despertou em Kelvin a possibilidade de transformar o interesse pela arte em um novo caminho. O contato com a argila, segundo ele, permite expressar criatividade e proporciona uma sensação de liberdade. Depois da primeira experiência, o engenheiro florestal passou a considerar a ideia de continuar trabalhando com cerâmica e pintura. A oficina, assim, cumpre uma função que ultrapassa o aprendizado de uma técnica: aproxima o público da produção artesanal, valoriza referências culturais e ambientais de Mato Grosso do Sul e abre espaço para novas formas de expressão.

Comunicação FIB2026 – Alexsandro NogueiraFotos Elias Campos