quinta-feira, 13 agosto, 2026 15:29
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Megafábrica de R$ 25 bilhões avança no MS e terá ferrovia própria para levar celulose até Santos

de @bonitonet
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Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano; complexo em Inocência terá ligação ferroviária própria e deve entrar em operação no fim de 2027

Um dos maiores investimentos privados em andamento no agronegócio brasileiro está transformando uma pequena cidade de Mato Grosso do Sul.
Em Inocência (MS), a Arauco avança na construção do Projeto Sucuriú, empreendimento de US$ 4,6 bilhões — aproximadamente R$ 25 bilhões — que terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

A dimensão do projeto, porém, vai muito além da fábrica. Para transportar praticamente toda essa produção até o mercado externo, a companhia está construindo sua própria ferrovia, que conectará o complexo industrial à Malha Norte e permitirá que a celulose percorra cerca de 1.050 quilômetros sobre trilhos até o Porto de Santos (SP).

O ramal representa ainda um marco para a infraestrutura brasileira: segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), trata-se da primeira autorização ferroviária concedida pela agência que efetivamente entrou na fase de obras dentro do novo modelo de autorizações.

O projeto original divulgado pela imprensa previa aproximadamente 47 quilômetros de ferrovia, além de uma ponte de 270 metros sobre o córrego São Mateus. Dados mais recentes divulgados pela própria Arauco detalham 45 quilômetros de linha externa, além de outros 9 quilômetros dentro da fábrica, mostrando a dimensão da infraestrutura logística associada ao empreendimento.

R$ 25 bilhões para construir uma gigante da celulose
O Projeto Sucuriú representa a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil e o maior investimento da história da companhia. A fábrica está sendo implantada em uma área de aproximadamente 3.500 hectares, próxima ao Rio Sucuriú.

A terraplanagem começou em 2024 e, de acordo com informação publicada pela própria empresa em julho de 2026, a previsão continua sendo iniciar as operações no final de 2027. Quando estiver funcionando, a unidade terá capacidade nominal de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano. A escala coloca Inocência no centro da expansão da indústria florestal brasileira e cria uma nova demanda por madeira, transporte, energia, serviços e mão de obra.

A base florestal associada ao empreendimento também impressiona. O material que serviu de referência para esta reportagem aponta aproximadamente 400 mil hectares de plantações de eucalipto destinados ao abastecimento da operação.

Uma ferrovia praticamente dedicada à fábrica
A logística é uma das peças centrais do projeto. A EF-A35 fará a conexão da unidade industrial com o pátio da Rumo Malha Norte. A partir daí, a celulose seguirá pela malha ferroviária existente em direção ao Porto de Santos, principal porta de saída da produção para compradores internacionais.

Em fevereiro, a ANTT confirmou o lançamento da pedra fundamental da ferrovia e informou que o trecho terá 47 quilômetros, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. A agência também estima que os 3,5 milhões de toneladas produzidos anualmente sejam encaminhados pelos trilhos até Santos.

O investimento especificamente associado à ferrovia chega a R$ 2,4 bilhões, considerando locomotivas e vagões, segundo o Ministério do Planejamento. A estrutura foi concebida para acompanhar a escala da fábrica. Dados divulgados pela Arauco apontam 26 locomotivas e cerca de 1.000 vagões, além de capacidade logística relacionada a aproximadamente 9,6 mil toneladas de celulose por viagem.

Ferrovia pode retirar centenas de caminhões das estradas
O ganho não será apenas econômico.

A estimativa divulgada pela Arauco é de que a operação ferroviária possa substituir aproximadamente 190 viagens de caminhões por dia, além de proporcionar redução de até 94% nas emissões de CO₂ em comparação com o transporte rodoviário.

Isso ajuda a explicar por que a ferrovia foi incorporada ao projeto desde sua concepção logística. Uma fábrica capaz de produzir milhões de toneladas por ano gera um fluxo de carga que, se dependesse majoritariamente de caminhões para chegar ao litoral paulista, teria impacto expressivo sobre rodovias, custos e emissões.

O presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras, destacou justamente esse efeito ao comentar o investimento: “Esse investimento reafirma a relevância pública e estratégica do projeto, ao modernizar a logística regional, fortalecer a segurança nas estradas e contribuir para uma operação de menor impacto ambiental.”

A declaração consta do material usado como base para esta reportagem, que também destaca a expectativa de transformação econômica de Inocência e dos municípios do entorno.

Uma fábrica que muda a escala de uma pequena cidade
Talvez o contraste mais interessante do Projeto Sucuriú esteja fora dos portões da indústria.

Inocência possui uma população relativamente pequena diante da escala do investimento que está recebendo. Durante a construção, a Arauco prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do início das operações, a expectativa é manter aproximadamente 6 mil trabalhadores nas atividades industrial, florestal e logística.

É uma movimentação capaz de alterar profundamente a economia local, pressionando e ao mesmo tempo criando oportunidades em setores como construção civil, habitação, comércio, alimentação, transporte e prestação de serviços.

A transformação também reforça um movimento mais amplo observado em Mato Grosso do Sul: a expansão da economia baseada em florestas plantadas, celulose e infraestrutura logística, com grandes projetos industriais avançando sobre regiões tradicionalmente ligadas à produção agropecuária.

Energia produzida dentro do próprio complexo
Outra característica do empreendimento será a geração de energia.

A previsão apresentada no projeto é de produção superior a 400 MW de energia a partir da biomassa, permitindo que a unidade seja autossuficiente. Cerca de 200 MW excedentes poderão ser disponibilizados ao Sistema Interligado Nacional.

Na prática, o Projeto Sucuriú combina em uma mesma operação produção florestal, indústria de celulose, geração de energia e transporte ferroviário dedicado.

É justamente essa integração que diferencia o empreendimento de uma fábrica convencional.

Do eucalipto de Mato Grosso do Sul para o mundo
A maior parte da celulose produzida em Inocência não ficará no mercado brasileiro. O planejamento apresentado para o projeto prevê destinação predominantemente internacional, com mercados na Ásia, Europa e América do Norte.

Depois de percorrer aproximadamente 1.050 quilômetros pelos trilhos, a carga chegará ao Porto de Santos para embarque internacional. A ferrovia deverá estar concluída no segundo semestre de 2027, acompanhando o cronograma de entrada em funcionamento da própria fábrica.

Se o cronograma for mantido, o fim de 2027 marcará não apenas o início da produção de uma nova gigante da celulose. Representará também a entrada em operação de uma estrutura logística concebida especificamente para conectar as florestas plantadas do interior de Mato Grosso do Sul diretamente às grandes rotas do comércio mundial.

Fonte: CompreRural

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