A nova tarifa de 25% dos Estados Unidos já vale, mas Mato Grosso do Sul deve sentir efeito limitado porque carne bovina, tilápia, madeira e couros ficaram fora da cobrança
Mato Grosso do Sul deve sentir de forma mais contida os efeitos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começou a valer nesta quarta-feira (22).
Isso ocorre porque os itens mais relevantes da pauta agroexportadora do Estado para o mercado americano ficaram fora da nova cobrança, com destaque para a carne bovina, além de tilápia, madeira e couros. Outro fator que reduz o impacto imediato é o peso reduzido dos EUA nas exportações do agro sul-mato-grossense, estimado em cerca de 5%.
A avaliação é da Famasul, com base em informações técnicas da CNA. Segundo a federação, o resultado final da decisão americana foi melhor do que o inicialmente temido para Mato Grosso do Sul, justamente porque preservou produtos importantes para o Estado.
Enquanto os Estados Unidos têm participação menor nas vendas externas do agro sul-mato-grossense, a China concentra 52,2% das exportações do setor, o que ajuda a amortecer os reflexos da medida no curto prazo.
Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da taxa adicional. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a isenção foi concedida porque esses itens são matérias-primas cuja taxação poderia levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia americana.
No cenário brasileiro, a CNA informou que 63,5% do valor das exportações do agronegócio aos Estados Unidos permaneceram fora da tarifa adicional após a ampliação da lista de exceções.
Entre os produtos mantidos sem a nova taxa estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja, cacau e especiarias, além de itens como mel orgânico, determinados pescados, madeira e couros. Já produtos como açúcar, etanol, carne suína e parte dos industrializados continuam sujeitos à cobrança.
Apesar do alívio para Mato Grosso do Sul, o setor mantém o sinal de atenção ligado.
O que diz o governo Lula?
O governo brasileiro considerou a taxação injustificável do ponto de vista técnico, uma vez que os EUA registram superávit no comércio com o Brasil. Especialistas, porém, consideram improvável uma retaliação na mesma moeda, com o Brasil impondo sobretaxas sobre produtos americanos.
Ontem (21), após reuniões com o setor privado afetado pela medida, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo com diferentes etapas.
“A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin. “A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso’. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada.”
Como Mato Grosso do Sul é afetado pelo tarifaço
| Ponto analisado | Situação em MS |
| Impacto geral | Tendência de impacto limitado no agronegócio estadual |
| Peso dos EUA nas exportações do agro de MS | Cerca de 5% |
| Principal produto exportado por MS aos EUA | Carne bovina |
| Carne bovina entrou na tarifa? | Não, ficou entre as exceções |
| Outros produtos de MS preservados | Tilápia, madeira e couros |
| Principal parceiro comercial do agro de MS | China, com 52,2% das exportações do setor |
O que ficou fora e o que continua na tarifa
| Produtos isentos citados | Carne bovina, café, laranja, suco de laranja, cacau, especiarias, mel orgânico, determinados pescados, madeira e couros |
| Produtos que seguem sujeitos à tarifa | Açúcar, etanol, carne suína e parte dos produtos industrializados |
Cenário nacional citado no material
| Tarifa adicional | 25% |
| Início da vigência | Quarta-feira, 22 |
| Exportações do agro brasileiro aos EUA fora da taxa | 63,5% do valor exportado |
| Vendas do agro brasileiro aos EUA em 2025 | Cerca de US$ 12 bilhões |
Fonte: ACrítica