Foi estudando a flora de Bonito que a empreendedora Joana Duarte da Silva descobriu que as belezas do paraíso do ecoturismo não apenas encantam, mas também podem promover saúde e bem-estar. Ela criou uma marca de produtos naturais feitos com espécies nativas da região, com direito a sabonetes, shampoo e até um repelente natural. O único que pode ser utilizado nas flutuações dos rios de águas cristalinas de Bonito, segundo a empreendedora. Os produtos, à base de plantas medicinais da região, estão expostos durante a Feira Literária de Bonito 2026 (Flib 2026).
Joana conta que decidiu investir no negócio após descobrir o potencial das árvores e ervas do Cerrado durante um curso sobre plantas medicinais.
“Fiz um curso de plantas medicinais que dava muito enfoque, principalmente, ao bioma Cerrado e à valorização do potencial medicinal que ele tem”, contou. Foi ali que aprendeu a utilizar cascas de aroeira e barbatimão, espécies conhecidas pelas propriedades cicatrizantes, na fabricação de sabonetes e outros produtos para cuidados com a pele.
“Hoje, nossos produtos ajudam pessoas que têm dermatite, psoríase, melasma e acne”, explicou.

Segundo ela, o barbatimão e a aroeira também auxiliam na cicatrização de feridas, inclusive em pessoas com diabetes, que costumam ter mais dificuldade nesse processo.
Repelente sem química, compatível com as águas de Bonito
Um dos destaques da produção é um repelente feito sem substâncias químicas.
“Ele não leva química. Inclusive, esse repelente é o único que pode ser utilizado aqui em Bonito, nas flutuações, porque não agride”, afirmou Joana.
Um dos óleos utilizados na fórmula é extraído de árvores da mata ciliar da região, vegetação que margeia rios e nascentes e desempenha papel fundamental na proteção dos corpos d’água.
Segundo ela, os produtos da sua marca possuem registro e já passaram por testes científicos.

Um bioma pouco conhecido, até por quem vive nele
Para Joana, participar da Flib representa uma oportunidade de apresentar o Cerrado a quem talvez nunca tenha parado para conhecê-lo de perto.
“Hoje mesmo atendi adolescentes de Corumbá e pude falar um pouco do nosso trabalho, levando um pouco da natureza para eles”, relatou. “Nosso bioma é tão rico e tão pouco divulgado aqui no nosso estado.”

Além do repelente e dos sabonetes, a produção inclui itens capilares, como shampoo e condicionador à base de óleo de bocaiúva e bacuri, além de um hidratante labial feito com cera de abelha e os mesmos óleos nativos, reforçando o uso de espécies do Cerrado em diferentes etapas do processo.
A experiência de Joana ilustra um movimento que vem ganhando espaço em Mato Grosso do Sul: transformar o conhecimento sobre a flora nativa do Cerrado em alternativas naturais aos produtos químicos e, ao mesmo tempo, dar visibilidade a um bioma historicamente esquecido na identidade ambiental do estado.
Fonte:EFMS