Uma conta que vai além do dinheiro: o tráfico de animais silvestres no Brasil deixou um rastro de R$ 46 milhões em multas e milhares de autuações em menos de dois anos, revelando a dimensão de um crime ambiental ainda persistente no país.
Entre setembro de 2023 e agosto de 2025, 3.474 pessoas foram autuadas em mais de 2,2 mil operações realizadas por órgãos ambientais. Os dados constam no relatório “O tráfico de fauna silvestre segundo as notícias”, que traça um panorama das ações de combate ao crime.
Segundo o levantamento, a maior parte das apreensões ocorre dentro de residências, responsáveis por 34% dos casos. Em seguida aparecem as abordagens em transporte rodoviário, com 16%. Em mais de um quarto das operações (26%), os agentes também identificaram outros crimes associados, como porte ilegal de arma de fogo.
O cativeiro ilegal lidera entre as práticas criminosas, seguido pela pesca irregular. As aves são as principais vítimas, representando 62% dos animais apreendidos. Entre as espécies mais afetadas estão o coleirinho (Sporophila caerulescens) e o canário-da-terra (Sicalis flaveola), frequentemente capturados para comércio clandestino.
As ações de fiscalização também resultaram na apreensão de mais de 12 mil quilos de carne de caça no período analisado. Além disso, 42 espécies nativas ameaçadas de extinção foram resgatadas, como o mico-leão-dourado, a arara-azul-de-Lear e o tubarão-galha-branca-oceânico.
Os dados reforçam o desafio enfrentado pelas autoridades no combate ao tráfico de fauna, um crime que impacta diretamente a biodiversidade brasileira e frequentemente está ligado a outras atividades ilegais.
Fonte:EFMS