A poucos meses das eleições, o Palácio do Planalto acelera a análise de medidas com impacto direto no bolso e na rotina dos trabalhadores — uma ofensiva que combina propostas econômicas e mudanças no mercado de trabalho em meio à busca por melhorar a avaliação do governo.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apostado em iniciativas voltadas à população de baixa e média renda, em uma estratégia vista por especialistas como típica de períodos pré-eleitorais. Entre as ações em debate estão a liberação de até R$ 17 bilhões do FGTS e a revisão de medidas impopulares, como a taxação de compras internacionais de pequeno valor.
Também está no radar do governo a mudança na escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias para folgar um. A proposta prevê a possibilidade de formatos como 5×2 ou 4×3, sem redução salarial, e deve ser enviada ao Congresso com pedido de urgência.
Segundo o advogado Danniel Fernandes, medidas que impactam diretamente a vida da população tendem a ter boa aceitação, mas o efeito político depende da implementação prática.
“Não basta prometer. O eleitor costuma esperar resultados concretos. Se a medida sair do papel ou estiver próxima disso, pode melhorar a avaliação do governo”, afirma.
Medidas em análise
A movimentação ocorre após desgastes recentes com decisões econômicas. Pesquisa da AtlasIntel apontou que a chamada “taxa das blusinhas” é vista por 62% dos brasileiros como o maior erro da atual gestão.
Hoje, compras internacionais de até US$ 50 são taxadas com 20% de imposto de importação, além de ICMS estadual. Diante da rejeição, o governo avalia ajustes na política.
No campo trabalhista, a proposta de revisão da jornada também ganha espaço. Em declarações recentes, Lula defendeu a redução da carga horária sem corte de salários, associando a medida ao aumento de produtividade impulsionado pela tecnologia.
Além disso, o governo prepara medidas provisórias para liberar recursos do FGTS. Uma delas prevê o desbloqueio de cerca de R$ 7 bilhões para trabalhadores demitidos que aderiram ao saque-aniversário. Outra pode liberar entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões para quitar dívidas, como cartão de crédito.
Resistências e desafios
Apesar do apelo popular, as propostas enfrentam obstáculos. O cientista político Magno Karl avalia que o impacto eleitoral dependerá da capacidade do governo de transformar anúncios em resultados concretos.
Segundo ele, a discussão sobre o fim da escala 6×1 tem forte apelo emocional, mas não alcança todos os trabalhadores, especialmente os que atuam na informalidade.
“A estratégia pode melhorar a imagem do governo, mas também pode gerar efeito contrário se for percebida como apenas eleitoral”, afirma.
Para analistas, o sucesso do pacote dependerá não só do conteúdo das medidas, mas da forma como elas serão implementadas e comunicadas à população nos próximos meses.
Fonte:EFMS