Depois de registrar o maior crescimento do agronegócio no País em 2025, Mato Grosso do Sul deve enfrentar um recuo no campo neste ano. A Resenha Regional do Banco do Brasil aponta retração da agropecuária no Estado, movimento que ocorre após uma base de comparação elevada, marcada por safra recorde e forte expansão da produção.
No ano passado, o Centro-Oeste liderou a expansão nacional, com crescimento de 23,6% na safra de grãos.
Em Mato Grosso do Sul, a agropecuária avançou 18,6%, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) estadual, que fechou o ano com alta de 5,4%, acima da média brasileira. Agora, o cenário é outro. Para este ano, a estimativa do Banco do Brasil é de retração de 2,3% na agropecuária sul-mato-grossense.
A queda está associada principalmente à redução na produtividade de soja e milho, além do efeito estatístico da base elevada do ano anterior.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma a expectativa de diminuição significativa na produção de grãos, cereais e oleaginosas em toda a região. Em Mato Grosso do Sul, as projeções indicam recuo de 6,8% na produção de soja, milho e outros cereais.
Ainda conforme a Resenha do Banco do Brasil, em 2025, a indústria registrou retração de 0,6% e, neste ano, deve crescer 3,3%. E os serviços, que cresceram 3,5% em 2025, devem alcançar 2,8% neste ano.
“A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil deve impulsionar a renda disponível das famílias no Centro-Oeste, fortalecendo o consumo e contribuindo para o desempenho econômico regional em 2026, haja vista renda mais elevada e alto grau de formalização da região”, aponta a análise do Banco do Brasil.

CENÁRIO
A análise ainda estima que o movimento ocorre em um cenário em que a indústria, principalmente os segmentos de celulose e etanol, tende a assumir papel central na expansão, mantendo o dinamismo associado à cadeia do agronegócio.
“Apesar desse impulso, o setor agropecuário deve registrar retração após a safra recorde do último ciclo. A queda é esperada nos três estados da região, o que pode moderar o ritmo de crescimento, embora não comprometa a trajetória positiva projetada. Mato Grosso do Sul deve apresentar avanço industrial e nos serviços, porém, com queda na agropecuária, refletindo o comportamento pós-safra excepcional”, detalha o documento.
Com a retração da agropecuária e o avanço mais moderado dos demais setores, Mato Grosso do Sul deve crescer abaixo da média nacional neste ano. O PIB do Estado é projetado em 1,9%, após um avanço de 5,4% no ano passado.
Conforme já publicado pelo Correio do Estado, o desempenho contrasta com os quatro anos consecutivos de expansão robusta puxada pelo agronegócio.
Agora, a economia sul-mato-grossense entra em fase de acomodação, em que a indústria e os serviços ganham protagonismo, enquanto o campo atravessa um ciclo de ajuste, após o recorde registrado.
O mestre em Economia Eugênio Pavão ponderou que o ciclo de juros altos começa a esfriar a economia nacional.
“A alta de juros, usada desde a metade do ano passado para fazer convergir o índice de inflação abaixo do teto, começou a interferir na economia, com leve queda, esfriando assim a demanda por bens e serviços”.
PECUÁRIA
Na pecuária, todos os principais rebanhos cresceram até o terceiro trimestre de 2025, com destaque para suínos e aves. Na bovinocultura, embora haja expansão trimestral, já são observados sinais de desaceleração nos abates, compatível com um ciclo de retenção para recomposição do rebanho.
Fora do segmento de grãos, a cana-de-açúcar deve ser o principal vetor positivo da produção regional, com expansão estimada de 2,6%, contribuindo para o crescimento nacional.
A regularidade das chuvas, influenciada pela zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), favoreceu o desenvolvimento das culturas de verão e a recuperação das pastagens, segundo boletim agrometeorológico do Inmet.
MERCADO DE TRABALHO
Mesmo com o cenário de desaceleração no campo, MS segue com uma das menores taxas de desemprego do País, abaixo de 3%, caracterizando situação próxima ao pleno emprego.
A Região Centro-Oeste mantém o maior nível de rendimento médio do Brasil, com salários acima de R$ 3 mil.
No acumulado de 2025, o Centro-Oeste criou 149,5 mil vagas formais, alta de 3,56% no estoque de trabalhadores com carteira assinada. Serviços e construção civil foram os principais motores da geração de empregos.
Entretanto, dezembro fechou com saldo negativo superior a 60 mil postos na região, influenciado pela sazonalidade típica do período. Em Mato Grosso do Sul, o recuo mensal acompanhou o movimento regional.
Fonte:Correiodoestado