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Das pistas à proteção da biodiversidade: como Mario Haberfeld criou ONG em prol da conservação da onça-pintada

de @bonitonet
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Fundado em 2011, o Onçafari atua em quatro biomas para conservar a biodiversidade por meio da proteção de áreas naturais e do apoio ao desenvolvimento socioeconômico local

Conhecido por sua carreira no automobilismo, Mario Haberfeld encontrou fora das pistas um novo propósito de vida: a conservação da onça-pintada e da biodiversidade brasileira. Em 2011, ele decidiu transformar a inquietação em um projeto de impacto socioambiental, o Onçafari.

Presente em quatro biomas brasileiros (Pantanal, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica), a ONG desenvolve ações baseadas no monitoramento científico dos animais com geração de dados, na formação de profissionais locais e na promoção de experiências de observação responsável pela vida selvagem. Além disso, a instituição atua em frentes como reintrodução, combate a incêndios florestais e advocacy.

Segundo Haberfeld, o Onçafari nasceu da constatação de que a proteção da biodiversidade dependia de soluções práticas e de longo prazo. Diante disso, ele criou um modelo que alia ciência, educação ambiental, envolvimento comunitário e turismo sustentável.

“Em 2008, quando parei de correr, tinha esse plano de trabalhar com conservação. Não tinha ideia de como ia fazer isso, eu, como falo, não sou biólogo, veterinário, cientista nem nada. Então, não sabia como fazer e a ideia foi viajar o mundo inteiro vendo todos os animais que sempre quis ver na natureza, mas nunca tinha tempo. A intenção sempre foi fazer conservação aqui no Brasil”, lembra.

A organização administra 115 mil hectares e contribui para a conectividade de mais de 2 milhões de hectares em áreas protegidas. Por ano, a instituição registra cerca de 1 mil avistamentos de onças na região da Caiman Pantanal, no Mato Grosso do Sul.

Quanto ao impacto das ações desenvolvidas ao longo de quase 15 anos, ele destaca que a ONG ajudou a mudar a relação entre comunidades e produtores rurais em torno da presença da onça-pintada na região, mostrando que a conservação pode gerar valor ambiental, social e econômico.

“Acredito que o ecoturismo é uma ferramenta muito importante para a conservação, afinal de contas tem um círculo virtuoso muito grande que se forma ao redor. Começamos com a conservação de onças-pintadas, que eram vistas como vilãs há décadas atrás considerando o contexto de pecuária no Pantanal”, pontua.

Além da onça-pintada, o Onçafari também trabalha com a conservação de outras espécies de animais ameaçadas de extinção, ampliando seu impacto sobre os ecossistemas. O trabalho é realizado em parceria com pesquisadores, órgãos ambientais, proprietários de terra e instituições nacionais e internacionais.

A atuação do Onçafari ainda inclui a participação na Jaguar Rivers Initiative (JRI), iniciativa internacional que visa a criação do primeiro corredor ecológico continental da América do Sul, focada na Bacia do Rio Paraná. Esse trabalho abrange ainda outras três organizações sul-americanas: Rewilding Argentina, Nativa (Bolívia) e Fundación Moisés Bertoni (Paraguai). “É importante essa conexão com outros países e acho que é o maior projeto da América do Sul em termos de área e de conexão de biomas”, diz.

Atualmente, a ONG é viabilizada pelo ecoturismo, pelos projetos educacionais e programas próprios de arrecadação de fundos, a exemplo do Amigo da Onça. “Temos mais de 20 parceiros que apoiam a gente e a premissa dentro do Onçafari é que o máximo dos recursos sejam direcionados para a conservação”, frisa.

Reconhecimento
Em janeiro deste ano, Haberfeld recebeu o Prêmio Schwab Foundation 2026 durante a 56ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A honraria foi concedida a 21 líderes de 17 organizações que se destacaram por soluções sociais e inovadoras que impulsionam mudanças ao redor do mundo. O fundador foi o único brasileiro premiado nesta edição.

“Esse prêmio coloca o Onçafari ainda mais em evidência, dá credibilidade e, principalmente, em um momento em que estamos fazendo bastante esforço de captação fora do Brasil”, avalia.

Fonte: PEGN

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