Vinagre de maçã pode ajudar no controle da glicemia

O vinagre de maçã está nas prateleiras dos mercados, nas receitas caseiras e até nas trends das redes sociais, como uma promessa para quem busca mais saúde e perda de peso. Mas, afinal, consumir doses do vinagre de maçã realmente faz bem? E como consumir? A nutricionista e professora Dayanne Maynard explica que, se administrado com cautela, o vinagre da fruta é mais um hábito saudável na busca por saúde e bem-estar.

“O vinagre de maçã é um alimento fermentado que pode trazer benefícios para a saúde. Ele ajuda, por exemplo, a melhorar a sensibilidade à insulina e a reduzir o açúcar no sangue depois das refeições. Isso acontece porque contém fibras que retardam a absorção dos carboidratos”, detalha a nutricionista. Segundo ela, o ingrediente também pode contribuir para a perda de peso, desde que usado de forma correta. 

Estudos apontam que o vinagre de maçã pode ajudar a diminuir o colesterol ruim (LDL) e os triglicerídeos, além de melhorar a digestão e aliviar sintomas como inchaço e desconforto abdominal. “A pectina, que é uma fibra solúvel presente no vinagre, aumenta a sensação de saciedade. Ao sentir menos fome, a pessoa, naturalmente, come menos. Esse efeito, aliado a uma alimentação equilibrada e atividade física, pode ajudar no emagrecimento.”

COMO CONSUMIR?
A maneira mais comum e segura de incluir o vinagre de maçã orgânico na rotina é como tempero de saladas. Outra opção é diluir uma colher de sopa em um copo com 200 ml de água e tomar antes das refeições. “No entanto, ele não deve ser consumido puro. O ácido do vinagre pode prejudicar os dentes e irritar a garganta”, descreve.

A nutricionista faz um alerta para quem tem problemas digestivos, como gastrite, refluxo ou azia, pois o vinagre pode piorar o desconforto. Quem toma medicamentos para diabetes ou diuréticos precisa conversar com o profissional de saúde antes de começar a usar. “Outro cuidado é com a saúde bucal. Mesmo diluído, o ideal é enxaguar a boca com água depois de consumir para proteger o esmalte dos dentes”.

BOM PARA A PELE
Para a especialista, o consumo consciente e dentro de uma alimentação saudável também pode refletir positivamente na aparência da pele, como resultado do bom funcionamento digestivo e metabólico. “O vinagre de maçã pode ser um aliado da saúde, mas não faz milagres. Ele sozinho não resolve. O ideal é buscar equilíbrio, informação de qualidade e, se possível, orientação profissional”, completa Dayanne Maynard.

Vinagre de maçã
1Ingredientes
Cascas e miolos de 6 maçãs grandes;
1 colher de sopa de açúcar;
2 litros de água sem cloro.

Modo de Preparo

Retirar o cloro da água é muito simples. Basta deixá-la em um recipiente aberto por um dia. É imprescindível que a água esteja livre de cloro, pois ele pode matar as bactérias que realizam a fermentação, comprometendo a fabricação do vinagre.

Misture os pedaços das maçãs com a água e o açúcar em um recipiente grande de vidro ou cerâmica com a boca larga. Não use tampa, apenas cubra o recipiente com um pano fino. Apesar de não querer que o ar entre em contato com a mistura, o processo de fermentação pode gerar uma pressão grande, já que as bactérias estão produzindo CO2 como um subproduto da fermentação. Portanto, se você optar por tampar o recipiente, é preciso que ele seja aberto várias vezes ao dia, durante todo o processo.

Ao longo dos próximos dias agite sempre a mistura, várias vezes ao dia. Este movimento areja o fermento e estimula a atividade microbiana, além de prevenir o aparecimento de mofos. Depois de alguns dias, a mistura deve começar a borbulhar.

Assim que o fermento começar a borbulhar, passe a mexer com uma frequência menor. O ideal é que o líquido seja movimentado apenas uma vez ao dia nesta etapa. O tempo desta fermentação pode variar, mas o gosto deve começar a ficar amargo em uma semana.

Coe o líquido. Após uma semana o vinagre já deve estar pronto, mas você pode esperar para coá-lo quando o borbulhamento cessar. Coloque o vinagre em uma garrafa com tampa, mas fique atento, pois ele ainda pode estar borbulhando e, portanto, gerando pressão, que precisa ser retirada para que a garrafa não estoure.
Este tipo de vinagre pode ser usado por meses.

Série da Netflix explora a mítica do “vinho azedo”
Derivado do francês vinaigre, o termo vinagre surgiu para dar nome ao vinho azedo. A série “Vinagre de Maçã”, que estreou em fevereiro na Netflix, põe foco na divulgação nas redes sociais de falsas curas para o câncer e outras doenças. A influenciadora australiana Belle Gibson, que se fez de paciente para se promover a partir de receitas milagrosas, é a personagem real que inspira a produção.

Ela se dizia sobrevivente de um câncer terminal e garantiu ter superado a doença com dieta e tratamentos naturais. Suas mentiras atraíram milhões de seguidores e a transformaram em um ícone da chamada indústria do bem-estar. A verdade foi revelada em 2015, mostrando que tudo não passava de fraude, e Belle foi multada em mais de US$ 1 milhão por engabelar muita gente.

A história de Belle Gibson não é um caso isolado. Infelizmente, a própria indústria do bem-estar alimenta a proliferação desses falsos milagres. Não é para menos. Em 2023, o setor movimentou US$ 6,32 trilhões em 2023, aponta o Global Wellness Institute. “Narrativas de cura sem base científica geram falsas esperanças e, pior, desviam pacientes de tratamentos eficazes. É uma questão grave de saúde pública”, afirma o oncologista Carlos Gil Ferreira.

Para este ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), até 704 mil novos casos de câncer podem ser diagnosticados no Brasil. É uma estimativa que serve de alerta. “As pessoas ficam extremamente vulneráveis quando enfrentam uma doença grave como o câncer. Elas buscam desesperadamente por soluções e podem se tornar alvos fáceis de pessoas mal-intencionadas, que têm na internet um terreno fértil para disseminar falsas receitas milagrosas”, destaca Ferreira.

“Muitos pacientes, ao perceberem que foram enganados, enfrentaram níveis severos de ansiedade e culpa por terem abandonado tratamentos comprovados”, explica Gil. O principal canal para se propagar esse tipo de conteúdo – muitas vezes promovido por quem não tem formação médica, mas poder de convencimento – são as redes sociais. “Vinagre de Maçã” não somente mostra os perigos dessas práticas, mas também reforça a importância da medicina comprovada cientificamente. 

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