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Ecoturismo em MS torna-se referência econômica e movimenta R$ 4 bilhões

O turismo entra em uma classificação chamada de indústria limpa, e este setor econômico em Mato Grosso do Sul alcançou o patamar de representar 4% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) no Estado, avaliado em R$ 106 bilhões, com dados mais recentes de 2019.

Dentro desse contexto, a atividade econômica alcançou em torno de R$ 4 bilhões e segue caminho para tentar se expandir neste novo cenário de pandemia mais amena e com espaço para mais turistas viajarem para diferentes destinos.

Os municípios que concentram essa movimentação econômica são Bonito e Corumbá. No primeiro caso, o turismo representa em torno de 60% do PIB local e é a principal atividade econômica.

Na divisão que o setor permite fazer, o ecoturismo é a base mais forte encontrada em Bonito, que tem 22,4 mil habitantes, conforme dados do IBGE de 2021.

O caso de Corumbá mescla o ecoturismo nas pousadas com o turismo de pesca esportiva. Em todos esses casos, o valor agregado dos produtos fornecidos é alto.

Outras duas cidades somam-se ao movimento da indústria limpa, mas com parcela menor na contribuição econômica. Nesse caso, Três Lagoas e Dourados são destinos mais voltados para o turismo empresarial, por conta das indústrias instaladas.

Esse contexto do setor em Mato Grosso do Sul foi apresentado durante o Seminário Internacional Inspira Ecoturismo, que ocorre em Bonito entre os dias 18 e 21 de maio.

O Sebrae-MS promove o evento, que está reunindo atrativos turísticos e operadores de viagem locais, nacionais e de outros países, como Chile, Estados Unidos, Portugal e Espanha.

O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Bruno Wendling, explicou que há um estudo em andamento para permitir que tanto o poder público como o setor privado identifiquem dados estratégicos do setor.

“O ecoturismo é o principal segmento do turismo no Estado, com a pesca esportiva. Estamos fazendo um estudo de matriz, insumo e produto e devemos concluir em breve. Temos que 4% de todo o PIB de Mato Grosso do Sul é produzido pelo turismo. Boa parte [dessa porcentagem] vem de Bonito, também das pousadas de Corumbá. Depois temos o turismo de negócios em Três Lagoas e Dourados. É um impacto importante, e estamos na média do Brasil”, detalhou Wendling, durante a entrevista coletiva que concedeu no Seminário Inspira Ecoturismo.

Ele acrescentou que, ao longo dos anos, o setor privado e público passou a compreender que o Estado tem potencial para se tornar um destino particular, que não necessariamente vai atrair milhões de turistas, mas que conseguirá engajar viajantes interessados em natureza. Nessa modalidade, o valor agregado é maior.

Além disso, os atuais destinos, como Bonito e Corumbá, possuem potencial para crescer. Esse aumento de público precisa ser balanceado, em se tratando de ecoturismo, porque os atrativos possuem limite de capacidade para se manterem sustentáveis.

“Não somos um destino de massa, queremos é aumentar as taxas de ocupação e manter um alto nível de entrega. Aqui em Bonito é possível aumentar até 40% a taxa de ocupação sem impactar diretamente os atrativos”, defendeu Wendling.

FÔLEGO

Esse aumento também tem um fator atrelado à pandemia, que deixou reclusa as pessoas durante 2020 e 2021.

A abertura das atividades, com mais fôlego neste ano, direcionou o interesse das pessoas para procurar um turismo que evita multidões e interessa-se mais pela natureza.

Essa constatação de pesquisadores do setor favorece Mato Grosso do Sul, que tem Pantanal, Cerrado, cachoeiras, rios, etc.

“Realmente há uma procura por mais experiências autênticas, naturais, turismo rural. Aqui na Espanha, por exemplo, teve um crescimento impressionante e continua a ter um crescimento muito grande”, apontou Sandra Carvão, chefe de Inteligência de Mercado e Competitividade Turística da Organização Mundial do Turismo (OMT), que se apresentou no evento internacional de turismo em Bonito.

Em termos de preparação do setor para essa demanda, o diretor-presidente do Sebrae-MS, Cláudio Mendonça, indicou que existe um programa específico que está dando suporte para pousadas, barcos-hotéis e hotéis-fazendas em Corumbá, Aquidauana e Miranda.

“Temos uma parceria entre Semagro, fundação [de Turismo] e Sebrae para o Pró-Pantanal. Esse é um produto que estamos trabalhando para ajudar a desenvolver as pousadas rurais no meio do Pantanal”.

Além disso, a partir deste mês, Mato Grosso do Sul passa a ter o Polo de Ecoturismo em Bonito. Esse espaço vai servir para gerar pesquisa e apoio para empresários.

“Vamos mostrar os exemplos que deram certo em Bonito para o resto do Brasil. Estamos colocando desde consultoria individualizada para quem vai abrir um negócio, participação em feiras. O polo aqui vai ser uma base para todo o Brasil e o trade do ecoturismo”, indicou Cláudio Mendonça.

A Fundtur também confirmou a contratação de um sistema de inteligência de mercado para Mato Grosso do Sul, que vai entrar em operação a partir do polo e direcionar ações de curto e médio prazo aos empresários, a partir de análise de dados com big data, e indicar estratégias para o setor atuar.

Quem trabalha no turismo no Pantanal, por exemplo, identifica um boom.

“Estamos ampliando o quadro de funcionários, como estamos vendo que a demanda de hóspedes está crescendo. Até a pandemia, a gente tinha em torno de 10 pessoas. Hoje estamos com 15 e precisamos ainda contratar. De abril para cá, estamos ficando lotados. Antes [da pandemia] o movimento era 50% internacional e 50% de público nacional, hoje, estamos em 70% do público nacional”, contou Virgínia Alves Corrêa Queiroz, que tem pousada em Aquidauana desde 1996.

Fonte:CE

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