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Após campanha nas ruas, grupos de balé da Capital vão a festival de dança

A rotina dos grupos de balé Maktub e Adágio sofreu uma alteração drástica desde o mês de dezembro. Além do aumento na carga horária de ensaios, os bailarinos passaram a bater ponto, duas vezes por dia, em dois cruzamentos de Campo Grande: o da Avenida Afonso Pena com a Rua Padre João Crippa e o da Avenida Mato Grosso com a Rua 14 de Julho.

O que causou o rebuliço na agenda dos dançarinos e também na de seus professores, familiares e amigos foi a seleção para o Prêmio Desterro – 11º Festival de Dança de Florianópolis (SC).

O tempo voou, e a hora do embarque chegou. As trupes pegaram a estrada ontem e seguiram, em um ônibus fretado, com o projeto de transformar o sonho em realidade.

O ponto de partida foi o Espaço de Dança Suzana Leite, no Jardim América, berço de nascimento dos grupos – o Maktub, mais avançado, no ano 2000, e o Adágio, para pré-adolescentes, em 2015.

Com as mais de três horas diárias de aulas e ensaios, os 23 dançarinos envolvidos esperam fazer bonito em quatro categorias da competição, a ser realizada desta terça-feira até domingo, no Teatro Ademir Rosa, um dos mais tradicionais da capital sul-catarinense.

Com a blitz nos semáforos da Capital Morena encerrada na quinta-feira (20), o objetivo era conseguir dinheiro para fechar o orçamento necessário para a viagem.

O valor de R$ 50 mil cobriria transporte, alimentação e hospedagem. Mas, apesar do esforço, não foi atingido pela campanha, que envolveu, além da blitz nos semáforos, uma “pastelada”, um show de prêmios e uma rifa. O total arrecadado ficou em pouco menos da metade dos recursos necessários. Os artistas e suas famílias vão se virar para arcar com o restante.

“A saída foi parcelarmos no máximo de vezes possível. O mais importante é levarmos o nome do nosso Estado para lá e dizer que a gente existe e que tem dança de qualidade sendo produzida em Mato Grosso do Sul”, afirma a dançarina Yasmin Salame, de 23 anos, uma das professoras e coordenadoras do Maktub, que funciona em um espaço alugado dentro do Colégio Dom Bosco. Mais da metade dos dançarinos não estuda na instituição.

Além dos dançarinos e professores, seguiram para Floripa alguns pais e mães, já que parte dos integrantes são menores de idade. A faixa etária dos dançarinos varia de 11 a 29 anos.

“Fizemos várias ações para conseguirmos levantar o maior valor possível para conseguirmos viajar. No semáforo, normalmente ficávamos por uma hora e meia. Dançávamos com ele fechado, enquanto outras bailarinas e algumas mães passavam pelos carros explicando a situação e pedindo a colaboração. A população foi bem receptiva conosco e ajudou bastante”, diz Milena Sandim, professora de balé e bailarina do grupo Maktub.

Concorrendo a prêmios que variam de R$ 500 a R$ 10 mil e a bolsas integrais de estudo em companhias renomadas, a exemplo do Bolshoi Brasil, de Joinville (SC), os dançarinos vão disputar as láureas, com colegas de vários estados, em quatro categorias.

Com a coreografia “Presas Neste Lugar”, que valoriza a retenção do movimento, participam da categoria de balé neoclássico conjunto; com a coreografia “Decurso”, de ação fragmentada e repetitiva, integram o módulo de pas de deux neoclássico; no balé clássico de repertório conjunto, vão apresentar o segmento “Amigas de Clara”, de “O Quebra-Nozes”.

“O balé, além de associar um exercício físico à nossa capacidade de se expressar, ajuda no desenvolvimento das habilidades sensoriais, cognitivas e emocionais. E mais do que isso, se for uma prática associada ao que acontece na sociedade, ajuda na formação crítica de quem pratica”, avalia o professor Paulo Oliveira, criador de “Síntese”, a quarta coreografia do núcleo Maktub-Adágio a ser apresentada, disputando os prêmios de jazz-duo.

Oliveira também é o autor de “Relacionamento”, coreografia a ser interpretada por Rosana Santos Elegda e Beatriz de Oliveira Amorim, da Sôma Cia de Dança, na categoria de dança contemporânea, e o intérprete do jazz-solo “Mãos de Promessa”, criado por Roberto Skiante.

Outros grupos e dançarinos de Campo Grande, a exemplo de Luan Rattacaso (Ballet Isadora Duncan), criador e intérprete do solo de dança contemporânea “Em Busca do que Sou” e do jazz-solo “Soul” (“Alma”, em inglês). Todos os grupos participantes do Desterro concorrem ao cobiçado grand prix do evento, que, além de R$ 10 mil, garante uma projeção e tanto.

“Dança para mim é tudo o que me define, nela eu posso ser quem sou e, através dos movimentos, dizer o que sinto”, declara a dançarina Maria Eduarda Fraga, de 16 anos, integrante do Maktub. Depois da folga de dois dias, sexta-feira e sábado, os artistas do corpo ainda repassaram as coreografias em um ensaio geral na manhã de ontem. Tudo para chegar em Floripa com o sonho de brilhar na ponta dos pés tinindo. Motivação não falta.

“Já nos apresentamos fora várias vezes. Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. E em países como Dinamarca, Noruega e França. Além da participação em eventos no Paraguai, Argentina, Itália, Áustria, Suíça e Suécia”, conta a dançarina Suzana Leite, o elo comum entre os dois grupos. “

Nossa proposta é ensinar a arte de dançar e formar bailarinos profissionais que pesquisem, corram atrás e procurem conhecimentos para que a arte de dançar seja levada a sério”, resume a coreógrafa e educadora. Combinado, Suzana. Estamos de olho no movimento.

 

Fonte:CE

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