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Saiba mais sobre Zé Vitor, o cowboy bicampeão mundial de montaria

A conquista histórica do início do mês ainda está fresca na memória de José Vitor Leme Batista, de 25 anos. Nascido em Ribas do Rio Pardo e criado no rancho de sua família, ele desde pequeno mostrava predisposição para a montaria e para o cuidado com os animais.

Hoje, vivendo com a esposa e o filho de nove meses no Texas, Estados Unidos, Vitinho curte um merecido descanso em sua própria fazenda e comenta sobre os próximos passos em sua carreira vencedora.

A sede do “campeão mundial” (como está escrito no portão, em inglês) no estado do Texas, Estados Unidos.

A paixão que o cowboy tem por seu esporte pode ser vista em fotos e vídeos antigos dele quando era criança, já praticando em cima de bezerros ariscos na propriedade dos pais. O talento precoce chamava atenção, principalmente na família também apaixonada por rodeios.

Em pouco tempo, ele estava disputando torneios da modalidade. O título de melhor do Brasil veio em 2016, e com ele a oportunidade de disputar o primeiro torneio nos Estados Unidos.

O Pequeno Zé Vitor em uma de suas primeiras montarias; de lá pra cá, a última delas rendeu prêmio milionário

“Lá o esporte tá muito mais avançado, muito mais evoluído. A montaria de touros bate de frente com os grandes esportes do país, por isso a valorização é muito maior do que aqui”, afirma Zé Vitor.

O atleta acredita que uma série de fatores influencia no fato de o esporte ainda não ser tão popular no Brasil, embora o país seja um celeiro de talentos. Um dos principais, segundo ele, seria o aspecto financeiro, na questão de maior quantidade de investidores dispostos a abrir o “caixa” e promover este tipo de entretenimento entre os norte-americanos.

Vale lembrar que muitas competições tradicionais no país ficaram paralisadas por conta da pandemia de Covid-19, incluindo a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, que deve ter sua próxima edição realizada entre os dias 18 e 28 de agosto de 2022.

Prateleira de fivelas do campeão já está ficando sem espaço para tantos adereços conquistados nos últimos anos

Já em solo estado-unidense, Vitinho conquistou seu primeiro título mundial em novembro de 2020, e repetiu a dose no início deste mês. Mas se a última temporada terminou com muitos recordes, o início dela não foi nada fácil.

Logo no primeiro evento, o cowboy sofreu uma fratura no tornozelo. Mais para o meio do ano, uma pancada lhe rendeu três costelas quebradas; e a pior das lesões veio justamente perto dos momentos decisivos: um problema muscular na virilha.

Mas superação foi a palavra de ordem. Na final, durante os sorteios dos animais para cada um dos atletas, José Vitor Leme foi avisado que competiria justamente com o touro mais temido do circuito – o “Woopaa”. O incômodo da contusão continuava lá, mas não impediu o fenômeno de fazer simplesmente a maior apresentação da história da Professional Bull Riders (PBR).

“São 50 pontos pro touro e 50 pontos pro competidor, e eles me deram 50 pontos. Isso é algo que nunca tinham alcançado”, conta o rio-pardense.

A nota final foi 98,75, o que rendeu a Zé Vitor a fivela de ouro de campeão do evento, o título mundial, uma bela premiação em dinheiro e esta bela imagem, tirada pelo fotógrafo que acompanha o atleta, para eternizar o momento.

A montaria quase perfeita capturada em um clique certeiro, durante a prova (Foto:André Silva/PBR)

Sobre os prêmios, Vitinho comenta que a situação também é bastante diferente do que a maioria das pessoas pode imaginar. “O valor é divido em 10 parcelas, pagas ano a ano, e 30% do valor é retido como imposto. É um valor muito bom, mas as pessoas podem ver as matérias e achar que eu tô com aquele dinheiro todo no banco, guardado” brinca o campeão.

Fora das arenas, o cowboy trabalha em sua fazenda, fazendo outra coisa que ama, que é cuidar de animais. É lá que suas conquistas esportivas são reinvestidas e asseguram o futuro de sua família. Para os próximos anos, Zé Vitor tem planos ambiciosos.

Zé Vitor prepara a alimentação de seus touros durante o descanso necessário do atleta da PBR

“Continuar trabalhando, continuar em busca dos meus objetivos, de sempre ir além do que eu já fiz e melhorar cada dia mais. Quero tentar buscar o que eu não consegui ainda, então agora é trabalhar duro pra disputar o campeonato novamente ano que vem e ser outro brasileiro com três títulos, isso seria fantástico”.

Com a conquista de 2021, José Vitor Leme se igualou a Silvano Alves como um dos únicos bicampeões em anos consecutivos na PBR. O objetivo na temporada 2022 será então o de repetir outro feito de Silvano e do também brasileiro Adriano Moraes na contagem geral de mundiais.

E ele não para por aí. “Também quero ser quatro vezes, quem sabe cinco vezes campeão mundial”… Talento e tempo para isso Vitinho tem de sobra, e o título de GOAT (“greatest of all time”, ou “maior de todos os tempos” em inglês) pode estar no horizonte do prodígio sul-mato-grossense.

Fonte: OPantaneiro

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