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Adeus a um amigo de Bonito

Foi sepultado na tarde dessa terça-feira (23) em São Paulo, Jayme Augusto Paniza dos Sanches aos 60 anos. Paulista de Moema, Jaime era um jovem apaixonado pela vida e pela natureza quando chegou em Bonito. O pai o trouxe para essas bandas, dono de um pesqueiro na barra dos rios Miranda e Formoso. Jayminho como todos os chamavam era um empreendedor nato; foi ele quem socorreu a empresa da família numa das maiores crises econômicas da história recente do país. O pai e os tios eram proprietários da empresa Rochester, pioneira na distribuição de peças para Veículos Diesel no Brasil.

Em Bonito ele é o Jayminho, figura muito querida da população e amigo de todos. Na década de 80, quando conheceu o pesqueiro do pai, a Fazenda da Barra, logo se apaixonou pela região e adquiriu mais tarde, o Rancho Tucano.

Essas propriedades são Reservas Particulares do Patrimônio Natural, uma área reservada pelo poder privado para proteger a natureza. Seu lema era: conservação x produção. Jayminho trouxe pra Bonito as primeiras discussões e debates sobre a questão. Por meio do seu “Projeto Vivo” levou crianças bonitenses a conhecer as belezas naturais de sua região. As palestras nas escolas da cidade  e aulas de educação ambiental na fazenda da Barra formou uma geração de adolescentes e jovens na conscientização da conservação da natureza e em defesa do Cerrado e das águas cristalinas.

Segundo familiares, Jayminho passou os últimos dois meses internado em um hospital em Fortaleza para se tratar de problemas cardiovasculares, vindo a falecer nesta segunda feira dia (22). Seu corpo foi transladado para SP, onde foi sepultado na tarde de hoje (23), no jazigo da família.

Jayme Augusto Paniza Sanches dedicou a vida à sua família, empresa e à ecologia, deixando um legado imensurável para a cidade e região.  Foi um dos responsáveis pela introdução do turismo sustentável em Bonito e teve reconhecido seu trabalho como ambientalista pela população.

Participou ativamente da criação de várias organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicadas às lutas por um mundo melhor, mais ecológico, pacífico e democrático, entre as quais se destacam a Associação Brazil Bonito e a Fundação Neotrópica do Brasil. Foi em sua casa no BNH, a primeira sede da instituição em 2000. Jaime arou a terra, semeou, regou e cuidou das primeiras sementes da conservação ambiental na região.

Tenho certeza de que o Jayminho continuará a nos inspirar e a motivar a seguir em frente.

Sua partida precoce e sem aviso prévio nos faz responsáveis pelo seu amor pela humanidade, a natureza e a paz. Perder o amigo significou para nós, eu e Marcia, a perda de um companheiro de caminhada. Para Bonito e o movimento ambientalista é a perda de um militante de primeira hora, um nome que alcançou projeção regional e nacional, mas nos deixa a lição e missão de que a sua luta nunca foi em vão e pressupõe perseverança e resiliência.

Sua morte pegou a todos de surpresa e aconteceu pouco antes de completar mais um ano de vida (faria 61 anos em 29 de dezembro). Em vida, surpreendeu a todos com sua humanidade, honestidade, amizade e afeto. E sua partida não foi diferente.

Um caráter inquieto e incapaz de desviar o olhar de uma iniquidade, disse um amigo nas redes sociais.

Jayme Augusto Sanches Paniza, ou simplesmente Jayminho nunca guardou para si sua acurada visão da humanidade e do mundo, lembrou outros.

Fonte: Bosco Martins

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