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Em grau elevado, Mato Grosso do Sul avalia lei seca e reforço policial

Mais da metade dos municípios de Mato Grosso do Sul está na bandeira vermelha do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), o que significa grau elevado de contágio do novo coronavírus.

Por causa desse cenário e do caos instaurado na saúde do Estado, com falta de leitos até de enfermaria em alguns hospitais, o governo de MS avalia a possibilidade de determinar lei seca e aumentar o efetivo policial para garantir o cumprimento das medidas de biossegurança adotadas.

Ontem, durante mais de quatro horas, autoridades estaduais estiveram reunidas na Governadoria para discutir as medidas que seriam tomadas em virtude do cenário que o Estado enfrenta.

Informações obtidas pelo Correio do Estado dão conta de que as medidas apresentadas seriam publicadas na manhã de hoje, mas nenhuma autoridade foi encontrada para comentar e confirmar o decreto até o fechamento desta edição.

Além do policiamento e da proibição de venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos comerciais, outra medida informada que deve ser adotada é a redução do limite de atendimento em estabelecimentos comerciais do Estado, passando de 50% para 40%.

Até o fechamento desta edição não havia confirmação de quando as restrições começariam e nem por quanto tempo elas estariam em vigor em Mato Grosso do Sul.

Todas as medidas, porém, foram uma solicitação da Associação dos Municípios do Mato Grosso do Sul (Assomasul), que elaborou um documento pedindo medidas mais rígidas nas 79 cidades. O ofício foi entregue na terça-feira ao governo do Estado.

“Pedimos o apoio do governo do Estado para termos a proibição do consumo de bebida alcoólica em ambientes públicos, com isso, poderemos evitar acidentes no trânsito, que acabam ocupando leitos em hospitais, e também a proliferação do vírus”, disse Valdir Couto (PSDB), presidente da Assomasul e prefeito de Nioaque, ao Correio do Estado na terça-feira (8).

Na semana passada, por causa do feriado de Corpus Christi, a associação havia recomendado que os municípios do Estado adotassem o toque de recolher das 20h às 5h, bem como a implementação de barreiras sanitárias e a proibição do transporte intermunicipal, o que não foi acatado pelo governo.

SITUAÇÃO DA PANDEMIA

Mato Grosso do Sul confirmou ontem o seu maior número diário de casos de toda a pandemia até aqui, foram 3.034 casos em apenas 24 horas. O Estado ainda tem mais de 10 casos sem encerramento por meio dos municípios e mais de 3 mil em análise no Laboratório Central de Mato Grosso do Sul (Lacen-MS).

A média móvel dos últimos sete dias no Estado é de 1.785,1 – uma das maiores já atingida. Também foram contabilizadas mais 58 mortes ontem, o que elevou a média móvel para 50,1 óbitos nos últimos sete dias.

São 274 pessoas na fila de espera por um leito em Mato Grosso do Sul. Na Central de Regulação da Capital, 180 doentes esperavam por uma vaga, sendo 152 apenas de Campo Grande. Já na Central de Regulação de Dourados, 46 pessoas aguardam por um leito em hospital. Na Central de Regulação do Estado (Core) esperavam 48 pacientes.

A ocupação global de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Sistema Único de Saúde (SUS) na macrorregião de Campo Grande estava em 108%, Dourados em 96%, Três Lagoas em 95% e Corumbá em 93%.

Estavam internadas ontem 1.287 pessoas, das quais 743 em leitos clínicos (543 público; 200 privado) e 544 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) (419 público; 125 privado).

Com a situação de colapso no sistema, o Estado tem encaminhado pacientes para outras unidades da Federação. Ao todo, 25 pessoas foram transferidas, das quais quatro viajaram ontem. Desses 25 pacientes, três morreram (dois em São Paulo e um em Rondônia).

COLAPSO

Durante transmissão ao vivo para informar os números da pandemia, o titular da Secretaria de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que Mato Grosso do Sul vive o colapso total do sistema de saúde, tanto pública como privada.

O secretário ainda relatou “Nós estamos há mais de 500 dias lutando contra essa doença, já fomos um dos estados menos afetados e continuamos a sermos o líder em vacinação no País. Quando o resultado depende do esforço e do trabalho dos nossos profissionais de saúde, sempre estamos em posição de destaque nacional.”

“Mas, mesmo assim, estamos vivendo uma tragédia no nosso sistema de atendimento, que está em colapso em função do aumento exponencial do número de casos”, lamentou o secretário.

Resende disse também que os bons números deram a “falsa sensação de que a doença estava passando e isso fez com que a população voltasse para a vida normal”.

“A pandemia não acabou e nem vai terminar agora, pelo contrário, estamos vivendo o pior momento destes 500 dias de luta, não temos mais leitos disponíveis para atender tantos doentes na rede pública e na privada. Acredito, como médico e gestor público, que todos os governantes deveriam neste momento tomar decisões mais duras, difíceis, restritivas e extremamente necessárias.” informou Resende.

“A escolha neste momento é simples, entre enfrentar o mau humor momentâneo dos prejudicados ou chorar com as famílias que estão enterrando seus entes”, completou Resende. (Colaborou Mariana Moreira)

CASOS

O Estado confirmou ontem 3.034 casos de Covid-19, o maior número apresentado em um só dia desde o início da pandemia. A taxa de contágio em MS é de 1,11 e a de letalidade da doença está em 2,4.

 

Fonte:CE

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