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Disparada da arroba do boi chega ao bolso do consumidor

Com baixa oferta de gado, aumento das exportações e disparada do preço da arroba, a carne bovina subiu mais de 68% no intervalo de quatro meses.

Pesquisa da reportagem aponta que o quilo dos cortes bovinos varia de R$ 20,90 a R$ 90,98. A tendência é de que os preços continuem altos pelos próximos meses, e até subam mais.

Ontem, em Campo Grande, a arroba do boi estava cotada a R$ 295,50. Em algumas regiões do Estado, já passa de R$ 300. Em dezembro do ano passado, a arroba chegou a ser cotada a R$ 175.

Conforme o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), em janeiro a arroba do boi gordo foi comercializada, em média, por R$ 269,80, aumento de 54,17% ante os R$ 175 praticados em dezembro de 2020.

Após dois meses, em março, a arroba foi comercializada, em média, por R$ 295,83, aumento de 52,65% em comparação com os valores registrados no ano passado.

Os contratos de exportação para atender o mercado externo ajudam a puxar o preço para cima. No mês passado, por exemplo, frigoríficos de Mato Grosso do Sul tentavam importar boi em pé do Paraguai, para atender à alta demanda.

Mesmo com o intervalo sem auxílio emergencial, entre janeiro e março, a injeção de recursos na economia também ajudou a elevar a demanda por carne no mercado interno e, por consequência, os preços.

“A expectativa é de melhora no consumo interno nos próximos dias, em razão de recebimento dos salários e até mesmo com as novas rodadas de auxílio emergencial”, diz a nota.

Conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a dezembro os cortes bovinos como patinho, coxão duro e coxão mole aumentaram 31,69% saindo de R$ 26, em média, para R$ 34,24.

Para a supervisora técnica do Dieese-MS, Andreia Ferreira, os preços ao consumidor final devem demorar a cair.

“Não temos perspectiva de queda para tão cedo no preço da carne bovina, o cenário não está favorável. O dólar está aquecido frente ao real e continuamos com baixa disponibilidade de animais para o abate. Em razão disso, a tendência é de que os preços continuem elevados nos próximos meses”, destacou Andreia.

O presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes (Assocarnes-MS), Regis Luís Comarella, disse ao Correio do Estado que, com a falta de oferta de animais no mercado, é difícil que o preço caia.

“Está difícil baixar o preço da carne, e se continuar desse jeito não vai baixar, essa é nossa grande preocupação”.

PREÇOS

O preço dos cortes bovinos varia até 79% entre os estabelecimentos em Campo Grande, conforme levantamento realizado.

A reportagem aferiu preços em supermercados, casas de carnes e açougues da Capital. As maiores variações estão no preço do filé-mignon, que é comercializado entre R$ 43,90 e R$ 85,98.

Ainda conforme a pesquisa do Correio do Estado, o corte mais barato foi a costela, que varia de R$ 20,90 a R$ 27,98. Enquanto o mais caro é a picanha, que vai de R$ 59,90 a R$ 90,98.

Segundo o comerciante da Casa de Carnes Oriente, Ronald Tanashiro, o empresário precisa comprar para revender ao cliente e, com isso, também perde sua margem de lucro. Uma das alternativas para aliviar os impactos no bolso do consumidor é segurar os repasses.

“Estamos priorizando a tendência de normalizar a rotatividade de venda, que está sendo impactada pela pandemia. Não temos como repassar 100% do que pagamos na hora da compra, a arroba do boi disparou, se for repassar tudo que sobe, fica cada vez mais difícil para o consumidor, que está passando por uma limitação financeira em razão da alta dos produtos”, disse o comerciante ao Correio do Estado.

FRIGORÍFICOS

A disparada nos preços da arroba bovina e a dificuldade de repasse integral desses custos têm levado a uma onda de suspensões temporárias de produção, que reduz abates em todo o País e a oferta aos consumidores.

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, afirmou que diversas unidades de pequeno, médio e grande portes passaram por paralisações ou ainda estão paradas em função das adversidades domésticas.

“O preço do boi subiu cerca de 60% em um ano, e a indústria conseguiu repassar no máximo 40% dos custos. [O setor] Está com uma dificuldade muito grande de fechar as contas”, afirmou.

As medidas de isolamento contra a Covid-19 e o aumento de despesas com grãos usados na ração, como milho e farelo de soja, fizeram com que a situação se agravasse na pecuária.

População já substitui cortes para continuar comendo carne 

A professora aposentada, Rosana Mendes relata que o valor excessivo da carne vermelha tem impactado diretamente o orçamento das famílias e, como solução, tem optado por substituições.

“Comer carne vermelha durante a semana é luxo, o aumento ainda me impressiona, tudo muito caro. Na minha casa eu tento variar, vamos alternando entre ovo e carne de frango, todo dia carne [bovina] fica pesado no orçamento da minha família”, afirmou a professora.

O auxiliar de enfermagem Marcos de Almeida disse que, no ano passado, começou a comprar cortes de segunda para economizar, porém, atualmente até cortes mais baratos estão muito caros.

“Você tenta correr para outro lado, mas não tem jeito. O coxão mole custa mais de R$ 40, é muito complicado, ainda mais em uma pandemia que a grande maioria teve sua renda impactada. O jeito vai ser virar vegetariano porque, com esses preços, está bem complicado”, relatou.

Para a supervisora técnica do Dieese-MS, Andreia Ferreira, em virtude dos sucessivos aumentos, o poder de compra da população é impactado, tendo como resultado a diminuição do consumo, entre outras consequências.

“Esses diversos aumentos comprometem a capacidade de compra dos consumidores: os salários aumentam uma vez ao ano, enquanto os alimentos têm variações de preço em uma frequência muito maior. Com isso, temos observado que os salários têm sido insuficientes para fazer frente aos gastos de alimentação, como, por exemplo, a carne bovina”, explicou.

Fonte:CE

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