Paraguai de olho no nosso bolso: comemoram aumento de imposto no Brasil e já prepara o terreno para lucrar alto a fuga dos brasileiros

Novas taxas no Brasil podem levar investimentos ao Paraguai. Exportações via maquila somam US$ 1 bilhão em 2025.

A nova política fiscal brasileira, que taxa grandes rendas a partir de 2026, é vista como oportunidade para atração de capital estrangeiro e expansão do regime de maquila, que já movimenta bilhões em comércio bilateral.

Ao longo dos últimos anos, os brasileiros se acostumaram com o aumento de impostos com uma frequência impressionante. Para o 2026 não será diferente, com muitos brasileiros donos de empresas focando no Paraguai como uma opção.

A partir de 2026, novas regras fiscais no Brasil sobre rendas anuais de R$ 600 mil podem impulsionar investimentos no Paraguai, onde exportações industriais já somam US$ 1 bilhão e 22.000 brasileiros buscaram residência em 2025.

Um jornal Paraguai influente no país, o El Nacional, destacou as enormes oportunidades que o país tem com o aumento de impostos no Brasil.

Paraguai de olho no dinheiro brasileiro

Gráfico 1. Carga Tributária Bruta por esfera de governo – Brasil – Anual – 2010 a 2024 – Dados em: % do PIB – Fonte: STN

A imprensa local entende que o Paraguai poderá se beneficiar diretamente do recente choque tributário anunciado pelo governo brasileiro.

O aumento de impostos no Brasil medida gera expectativas positivas entre especialistas tributários locais sobre a atração de novos capitais para a economia paraguaia nos próximos anos.

A nova lei brasileira aumenta a taxação de altas rendas para pessoas físicas e jurídicas. O foco está naqueles com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil, alterando a dinâmica de investimentos na região.

Essa mudança na legislação no Brasil é vista como uma oportunidade estratégica para o Paraguai. O objetivo é captar recursos de investidores que buscam alternativas fiscais mais vantajosas para proteger e rentabilizar seus patrimônios financeiros.

De fato, o ano de 2025 registrou um número recorde de solicitações de residência. Um total de 22.000 cidadãos brasileiros iniciou processos para se estabelecer legalmente no Paraguai, sinalizando um movimento migratório motivado por fatores econômicos.

Uma parcela significativa desses novos residentes e investidores provém de capital brasileiro. Esse fluxo confirma a tendência de busca por ambientes de negócios com menor pressão fiscal e maior previsibilidade para o setor privado.

A prestigiada publicação financeira The Wall Street Journal noticiou esse fenômeno recente. O jornal destacou o crescente interesse de diversas empresas brasileiras em estabelecer operações ou transferir sedes para o território paraguaio.

Governo do Paraguai garante que não terá novos impostos

Diante desse cenário favorável, o governo paraguaio reforçou seu compromisso com a estabilidade. O chefe da subsecretária de Estado de Tributação, Óscar Orué, anunciou oficialmente que o país não prevê aumentos de impostos até 2028.

As condições para o estabelecimento de empresas brasileiras no Paraguai estão presentes. O presidente da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, Fabio Fustagno, ressaltou que o ambiente é propício para a chegada de novos empreendimentos.

O principal atrativo reside na diferença significativa da carga tributária entre os dois países. Além disso, a disponibilidade de mão de obra local e os custos operacionais competitivos favorecem a decisão de migração empresarial.

Detalhes da nova estrutura fiscal brasileira

A nova legislação brasileira aplica impostos a partir de 2026 para rendas elevadas. A estimativa oficial indica que o aumento da carga tributária alcançará cerca de 140 mil brasileiros considerados de alta renda.

A cobrança do novo imposto será realizada de maneira gradual sobre os rendimentos. A alíquota máxima prevista na lei é de até 10%, incidindo especificamente sobre a parcela da renda que excede os limites estabelecidos.

Aqueles contribuintes que já pagam essa porcentagem ou mais não sofrerão novas cobranças. A medida visa equalizar a tributação sem onerar duplamente quem já contribui com alíquotas elevadas dentro do sistema vigente.

Não há previsão de impacto fiscal negativo nas contas do governo brasileiro. A implementação da medida não exige cortes de gastos públicos nem afeta a continuidade de serviços essenciais oferecidos à população.

Alguns tipos específicos de rendimentos não entram no cálculo dessa nova taxação. Estão isentos ganhos de capital, heranças, doações e rendimentos recebidos acumuladamente, preservando certas categorias de ativos financeiros dos contribuintes.

Aplicações isentas, poupança e indenizações também permanecem fora do alcance da nova tributação. Aposentadorias recebidas por moléstia grave seguem protegidas, mantendo o tratamento diferenciado previsto na legislação atual para esses casos.

A lei define limites claros para a soma dos impostos pagos. O objetivo é evitar que o total recolhido pela empresa e pelo contribuinte ultrapasse percentuais fixados para empresas finaceiras e não financeiras.

Caso o limite de tributação seja ultrapassado, haverá mecanismo de compensação. A legislação garante a restituição do valor excedente na declaração anual, protegendo o contribuinte de uma carga tributária superior ao teto estabelecido.

O aumento de imposto compensa a perda de arrecadação em outras frentes. A medida viabiliza a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil.

A iniciativa altera regras de tributação para ampliar benefícios sociais. A mudança busca alcançar trabalhadores e setores específicos, gerando impactos diretos na renda disponível, no consumo das famílias e na formalização do trabalho.

Cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar imposto de renda com a nova lei. Desse total, 10 milhões passarão a ser totalmente isentos, enquanto outros 5 milhões contarão com redução no imposto.

Desempenho do comércio bilateral e maquila

As exportações do Paraguai sob maquiladoras (regime fiscal atrativo para empresas estrangeirasultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão. Esse valor foi registrado no final de novembro de 2025, conforme dados oficiais divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio.

O Brasil absorve a maior parte dessa produção industrial exportada pelo Paraguai. O nosso país foi o destino de 64% do total das mercadorias enviadas ao exterior sob esse regime de incentivo fiscal.

O relatório oficial confirma a solidez da relação comercial entre as nações. As indústrias binacionais desempenham um papel central e estratégico no crescimento sustentado do setor manufatureiro e na integração das cadeias produtivas.

As exportações das maquiladoras registraram um aumento anual expressivo de 15%. Esse crescimento equivale a um valor adicional de US$ 117 milhões em comparação com o mesmo período registrado no ano de 2024.

O regime diferencial de impostos promove a transformação e a reexportação de bens com valor agregado. O modelo mantém uma balança comercial positiva, demonstrando a eficiência e a competitividade da produção industrial paraguaia no mercado externo.

As exportações do setor superam as importações em uma margem de 83%. Esse superávit reflete a capacidade do modelo industrial paraguaio de gerar divisas e manter um fluxo comercial favorável para o país.

Entre os principais itens exportados estão as peças de carros, representando 34% do total. O setor de vestuário e têxteis ocupa a segunda posição, respondendo por 17% das vendas externas realizadas pelo regime de maquila.

Produtos de alumínio correspondem a 13% das exportações das indústrias maquiladoras. Já os produtos alimentícios representam 12% do volume total exportado, evidenciando a diversificação da pauta produtiva destinada ao mercado internacional.

Muitos desses produtos são destinados especificamente ao abastecimento do mercado brasileiro. O fortalecimento do comércio industrial destaca o potencial do regime maquilador como um motor essencial de integração produtiva na região.

Integração regional e mercado de trabalho

Novos impostos no Brasil podem levar investimentos ao Paraguai.

Atualmente, 81% das exporações das paraguaias são destinadas ao Mercosul. O Brasil se consolida como o principal parceiro comercial dentro do bloco, absorvendo a maior fatia dos produtos industrializados no Paraguai.

Esse fluxo intenso de mercadorias reflete a crescente interdependência industrial. A relação entre os dois países cria oportunidades para promover cadeias de valor compartilhadas, otimizando a produção e a logística regional.

As indústrias maquiladoras geram mais de 35 mil empregos diretos no Paraguai. O setor se destaca como um importante empregador formal, contribuindo para a redução do desemprego e o desenvolvimento econômico local.

O crescimento anual na geração de empregos pelo setor foi de 23%. Esse índice demonstra o dinamismo das empresas que operam sob o regime de maquila e sua capacidade de expansão contínua.

Os postos de trabalho estão concentrados principalmente em departamentos estratégicos do país. As regiões do Alto Paraná, Central e Assunção abrigam a maior parte das indústrias e da força de trabalho empregada.

Essas regiões são fundamentais para a ligação logística com o sul do Brasil. A localização geográfica facilita o transporte de mercadorias e a integração produtiva, reforçando a competitividade das exportações paraguaias para o vizinho.

O governo paraguaio busca elevar o limite de isenção fiscal localmente. Essa medida é compensada com uma maior carga tributária sobre as rendas mais altas, ajustando o Imposto de Renda Pessoa Física.

Todas essas ações do Governo do Paraguai tem uma única missão: aproveitar a fuga do capital brasileiro. Quanto mais o governo brasileiro aumenta imposto, mais os paraguaios comemoram, acreditando que poderão faturar cada vez mais.

Com informações de El Nacional.

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