Mesmo proibidos, cigarros eletrônicos atraem 152 mil sul-mato-grossenses

Um levantamento inédito da Escola de Segurança Multidimensional (ESEM) da USP, em parceria com o Instituto IPSOS, revelou que 152 mil sul-mato-grossenses usam regularmente cigarros eletrônicos, enquanto outros 313 mil afirmam ter consumido ocasionalmente os produtos nos últimos seis meses. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (22), destaca que, apesar da proibição desses produtos pela Anvisa desde 2009, o uso segue em expansão, impulsionando o mercado ilegal.

Segundo o estudo, somente em Mato Grosso do Sul, o comércio ilegal de cigarros eletrônicos e sachês de nicotina movimenta cerca de R$ 140 milhões por ano, sem recolhimento de impostos. A ausência de regulamentação contribui para que esses valores financiem atividades criminosas, enquanto o Estado deixa de arrecadar R$ 244,4 milhões anuais em tributos.

Riscos à saúde

Especialistas alertam para os efeitos nocivos desses produtos. O doutor Henrique Ferreira de Brito, pneumologista e professor da UFMS, explica que a nicotina inalatória presente nos dispositivos vicia mais rapidamente que o cigarro comum. “Os níveis de nicotina são maiores, com aditivos que potencializam a dependência. A substância não só causa vício como também tem potencial cancerígeno. Não existe nível seguro de consumo”, afirma.

Além disso, o uso contínuo pode gerar doenças pulmonares, inflamações, pneumonia, agravamento de bronquite e asma, além de aumentar risco de infarto, arritmia, hipertensão e problemas vasculares.

Impacto econômico e crime organizado

O estudo detalha que, se regulamentados, os produtos poderiam gerar R$ 244,4 milhões/ano em MS, R$ 1,48 bilhão na região Centro-Oeste e R$ 13,7 bilhões nacionalmente. Para Leandro Piquet, coordenador da ESEM, a proibição não elimina a demanda, mas transfere o mercado para organizações criminosas, que atuam de forma estratégica buscando lucro, controle territorial e corrupção sistêmica.

O levantamento também mostrou que, no Centro-Oeste, há 900,5 mil consumidores de cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, enquanto 10 milhões de brasileiros fazem uso desses produtos regularmente e outros 15,4 milhões afirmam uso recente nos últimos seis meses.

Metodologia da pesquisa

O estudo utilizou uma amostra representativa de 3 mil adultos, com margem de erro de 1,8%, combinando entrevistas online e presenciais e aplicando cotas demográficas baseadas no IBGE. O levantamento foi patrocinado pelo programa PMI IMPACT, da Philip Morris Brasil, que apoia projetos acadêmicos e públicos voltados ao combate ao comércio ilegal.

A pesquisa evidencia que, mesmo proibidos, os cigarros eletrônicos continuam sendo uma ameaça à saúde pública e um problema econômico e de segurança, fomentando o mercado ilícito e desafiando políticas de fiscalização e prevenção em Mato Grosso do Sul e no país.

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