Regiões rurais de Mato Grosso do Sul estão registrando aumento expressivo nos casos de dengue e chikungunya em 2025. Levantamento feito pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que assentamentos, aldeias indígenas e propriedades rurais enfrentam uma expansão preocupante das doenças, com destaque para os municípios de Miranda, Aquidauana e Maracaju.
A análise foi realizada com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), com o objetivo de identificar os focos de transmissão do mosquito Aedes aegypti em localidades de difícil acesso. A intenção é ajudar os municípios a traçarem ações mais precisas e efetivas de combate.
Miranda e Aquidauana concentram alta entre indígenas – Miranda lidera com 53 casos confirmados de dengue na área rural, seguida por Aquidauana, com 19 registros. Em ambas as cidades, a maior parte das infecções se concentra em aldeias indígenas, o que exige um olhar especial das autoridades de saúde. A dificuldade de acesso, a extensão territorial e a falta de endereços padronizados agravam o desafio do controle epidemiológico nessas regiões.
Além disso, foram registrados casos de dengue em outras localidades rurais, como Sete Quedas (11), Chapadão do Sul (8), Aparecida do Taboado (8), Paraíso das Águas (7), Ribas do Rio Pardo (6) e Paranaíba (5). No total, o vírus já foi identificado em 19 assentamentos, 17 aldeias e 130 fazendas ou sítios no Estado.
Maracaju lidera casos de chikungunya no campo – Em relação à chikungunya, o município de Maracaju apresenta o maior número de confirmações na zona rural, com 19 casos, o que representa 22,6% das notificações. Em seguida aparecem Tacuru (8), Dois Irmãos do Buriti (7), Bonito (6) e Pedro Gomes (5). Também foram registrados casos isolados em Sonora, Paranaíba, Ponta Porã, Dourados, Vicentina, Amambai e Itaquiraí.
O primeiro óbito por chikungunya na área rural foi confirmado em Dois Irmãos do Buriti, aumentando a preocupação com a expansão da doença em locais de acesso limitado a serviços de saúde.
A gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener, afirma que o mapeamento é crucial para conter o avanço das infecções. “A identificação precisa dos focos é um passo fundamental para garantir a implementação de ações rápidas e específicas, reduzindo os impactos dessas doenças na população”, explica.
Segundo a SES, o controle é dificultado pela vastidão territorial das áreas rurais e pela ausência de informações detalhadas sobre endereços, o que torna o trabalho das equipes de saúde mais lento e complexo. Além disso, os recursos precisam ser melhor distribuídos para alcançar as comunidades mais isoladas.
A secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, destaca a importância de uma estratégia direcionada. “As ações devem ser específicas para cada localidade, considerando suas características. O envolvimento da comunidade é essencial para o sucesso das medidas de prevenção”, afirma.
Diante do avanço dos casos, a SES recomendou que os municípios intensifiquem campanhas de conscientização, mutirões de limpeza e eliminação de criadouros do mosquito transmissor. Também foi solicitado o reforço nas unidades de atendimento médico, especialmente nas localidades com maior incidência.
Municípios com casos confirmados de dengue na área rural:
Miranda (53)
Aquidauana (19)
Sete Quedas (11)
Chapadão do Sul (8)
Aparecida do Taboado (8)
Paraíso das Águas (7)
Ribas do Rio Pardo (6)
Paranaíba (5)
Brasilândia (5)
Itaquiraí (5)
Pedro Gomes, Terenos, Três Lagoas, Maracaju (3 cada)
Santa Rita do Pardo, Cassilândia, Japorã (2 cada)
Figueirão, Costa Rica, Água Clara, Dois Irmãos do Buriti, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Nova Andradina, Angélica, Ponta Porã, Antônio João, Fátima do Sul, Vicentina, Taquarussu, Caarapó, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Eldorado (1 caso cada)
Municípios com casos confirmados de chikungunya na área rural:
Maracaju (19)
Tacuru (8)
Dois Irmãos do Buriti (7)
Bonito (6)
Pedro Gomes (5)
Paranaíba (2)
Sonora, Ponta Porã, Dourados, Vicentina, Amambai, Itaquiraí (1 cada)
1 óbito em Dois Irmãos do Buriti
Fonte:Acritica