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Na rodovia de acesso ao Pantanal, ‘cemitério’ de animais é sinal de que o fogo não é o único problema

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O Pantanal sul-mato-grossense voltou aos holofotes de todo o país em razão dos incêndios que avançam na região, mas não é preciso ir até o centro do bioma, com 250 mil km², para se deparar com sinais da degradação ambiental. Na BR-262, rodovia que dá acesso à Corumbá, dezenas de animais mortos atropelados na pista são o retrato de que a interação entre homem e natureza estão distantes do equilíbrio que se espera.

Pela estrada, cercada por vegetação nativa, placas de trânsito alertam sobre a presença de quem sempre esteve ali. ‘Dirija com atenção, risco de animais na pista’, alerta a placa, em vão. Reportagem percorreu o trecho de 450 km entre Campo Grande e Corumbá nesta quinta-feira (20).

Saindo do município de Miranda com destino a Corumbá, um tamanduá-bandeira, morto a 300 metros de uma placa de alerta, evidencia brecha nas ações de proteção à fauna. No quilômetro 686, seis javalis mortos no acostamento tornam-se cena ‘comum’ pelos quilômetros que seguem até Corumbá.

No trajeto, anta, quatis, urubus e carcarás mortos, juntam-se às ossadas de animais que já nem é possível identificar devido à ação do tempo.

Pesquisa aponta mais de 1,4 mil animais atropelados em 2023

Mato Grosso do Sul registrou a morte de 1.456 animais por atropelamento na BR-262 no trecho entre Campo Grande até a Ponte do Rio Paraguai, em Corumbá. A pesquisa foi conduzida pelo Projeto Bandeiras e Rodovias, no período de maio a dezembro de 2023, no trecho com cerca de 350 quilômetros.

O projeto visa compreender e propor ações que possam reduzir o atropelamento da fauna silvestre em rodovias de Mato Grosso do Sul. As colisões colocam em risco a vida dos animais, dos motoristas e passageiros.

Reduzir velocidade pode salvar animais

Como a colisão contra um animal pode ser fatal para ele e para os ocupantes do veículo, a PMA (Polícia Militar Ambiental) reforça que manter a velocidade indicada pela sinalização da via, bem como redobrar a atenção em estradas que cortam reservas florestais ou vegetações densas, pode diminuir em até 70% o risco de atropelamento de animais.

Dessa forma, a polícia recomenda que, em casos de acidentes sem vítimas, a pessoa deve retirar o animal morto da estrada para evitar outras ocorrências ou acionar o Batalhão da Polícia Militar Rodoviária (BPMRv). Quando o animal estiver apenas ferido, a PMA deve ser acionada para fazer o resgate e recolhimento.

(Foto: Henrique Arakaki/ Jornal Midiamax)

Fonte:MM

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