EconomiaNotícias

China amplia negócios com Mato Grosso do Sul e consome quase 48% da produção local

Compartilhar:

A China já era o principal destino de exportação da produção sul-mato-grossense, mas ampliou a participação de 42,4% para 47,8% no intervalo de um ano, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em relação ao montante negociado, a alta foi de 4,7%. De janeiro à maio de 2023 foram negociados R$ 10,213 bilhões (US$ 1,874 bilhão) com o país asiático, já nos cinco meses de 2024 o montante passou a R$ 10,687 bilhões (US$ 1,961 bilhão).

Já o aumento em quantidade de produtos enviados ao mercado exterior foi expressivo de 23,83% no mesmo período. Nos primeiros cinco meses do ano passado, Mato Grosso do Sul enviou 3,694 milhões de toneladas à China, enquanto no mesmo período de 2024 foram 4,574 milhões de toneladas comercializadas com o país.

A diversificação dos produtos exportados explica o sucesso das vendas externas neste ano, mesmo em um período de preços das principais commoditties, como a soja, o milho e a carne bovina, em baixa no mercado internacional.

De acordo com o economista do Sindicato Rural de Campo Grande (SRCG), Staney Barbosa Melo, reforça que o aumento nas exportações, ocorreu em razão do preço baixo e do estoque que o produtor montou para aguardar cotações melhores.

“Com isso, os chineses estão aproveitando o momento de preços baixos para aumentarem seus estoques, o que de certa forma contribui para amortecer essa queda nos preços do grão que tanto prejudica o setor”, detalha.

Outro fator que ajudou a ampliar a participação chinesa na balança comercial de Mato Grosso do Sul foi a ampliação da habilitação de plantas frigoríficas aptas a comercializarem carne bovina para o país. Conforme publicado pelo Correio do Estado em março deste ano, a China habilitou 38 novos frigoríficos e entre eles cinco de MS. Com isso, o Estado tem 11 indústrias habilitadas.

O Estado foi o que mais se beneficiou das novas habilitações entre todas as unidades da federação, afirmou o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Roberto Perosa, à época.

“Mato Grosso do Sul antes tinha, do seu rebanho e dos seus frigorificos “sifados”, 11% de capacidade do abate para ser exportado para a China. Isso [porcentual] está passando para 57%. Isso é um incremento gigantesco nas possibilidades de exportação do MS, e por isso também ele foi o Estado que mais cresceu”.

Em 12 de abril, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve em Campo Grande para fazer o envio simbólico da carne bovina ao país asiático e selar a ampliação dos negócios.

BALANÇA COMERCIAL

Dados da Carta de Conjuntura da Coordenação de Economia e Estatísticas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) apontam que a balança comercial de Mato Grosso do Sul registrou superávit de US$ 2,936 bilhões (R$ 16 bilhões) nos cinco primeiros meses deste ano.

Ainda segundo o levantamento, as exportações somaram US$ 4,104 bilhões de janeiro a maio, redução de 7%, em relação ao mesmo período do ano passado quando foram negociados US$ 4,412 bilhões.
Apesar de as exportações terem recuado, as importações também diminuíram 13,8%, saindo de US$ 1,354 bilhão no ano passado e totalizando US$ 1,168 bilhão no acumulado de 2024.

Em relação aos principais produtos exportados, a soja apareceu em 1º lugar no ranking, com 27,56% do total comercializado e montante de US$ 1,131 bilhão no ano. O segundo produto da lista foi a celulose, sendo responsável por 15,16% da pauta de exportações e movimentação de US$ 622,242 milhões.

Com a abertura de novas plantas frigoríficas, a carne bovina já aparece em destaque como terceiro maior no ranking de produtos exportados e com alta de 23,57% no volume negociado. Saindo de US$ 281,220 milhões comercializados em 2023 para US$ 347,501 milhões nos cinco meses deste ano.

Nas importações, o gás natural destaca-se, compondo 44,47% das importações totais, seguido por adubos (9,28%) e cobre (6,77%).

O titular da Semadesc, Jaime Verruck, analisa que apesar do recuo nas vendas de produtos tradicionais como a soja, o Estado mantém uma estabilidade relativa na balança com outros produtos como a celulose e o minério.

“Este ano a agricultura teve um forte recuo na produção que se refletiu na balança comercial de produtos. Por outro lado, temos percebido um avanço na agregação de valor a nossas matérias primas e consequentemente o crescimento na venda destes produtos”, destacou.

Saiba

Três Lagoas mantém a liderança como maior município exportador de MS, com 23,06% do total das exportações.  Na sequência aparecem Dourados (8,42%) e Antônio João (5,17%).

 

Fonte:CE

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo