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Com 1,2 mil focos de incêndios, moradores de Corumbá convivem há 13 dias com fumaça intensa

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Desde o dia 4 de junho, moradores de Corumbá, convivem com a fumaça de incêndios florestais no Pantanal. O município registra 1.241 focos de queimadas em 2024, sendo o primeiro no ranking nacional de focos por cidade, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Já são mais de 10 dias convivendo com a fumaça, que esse ano chegou muito mais cedo. Os incêndios florestais ocorrem em período mais crítico entre julho e setembro, porém são 1.269 focos no Pantanal em 16 dias de junho.

Enquanto brigadistas estão em campo tentando combater as chamas, a população sobrevive em meio a fumaça. “Basta achar um local que visualize o Pantanal e o horizonte está vermelho, queimando. Na cidade é fuligem caindo sobre casas, carros, sujando tudo”, conta o fotógrafo de natureza Guilherme Giovanni.

A situação é ainda pior para ribeirinhos, que vivem em meio aos incêndios. A Acaia Pantanal em parceria com a Cufa (Central Única das Favelas) de Corumbá, estão realizando uma campanha de arrecadação de alimentos, água mineral, nebulizadores, máscaras e soro fisiológico.

“Tem quase uma semana que ele não dorme, por causa da fumaça, que veio em cima de nós. Muito difícil esse mundo de fogo que teve aqui, tudo queimado e a gente sofrendo na fumaça”, afirma uma moradora ribeirinha. Recentemente uma família precisou ser resgatada em meio ao fogo.

 

A prefeitura de Corumbá foi questionada sobre o possível aumento de atendimentos médicos devido à inalação de fumaça. O espaço segue aberto ao posicionamento.

Fumaça atrapalha combate às chamas

Além do Corpo de Bombeiros, várias brigadas combatem os incêndios no Pantanal, mas enfrentam várias dificuldades. A fumaça, o calor, a baixa umidade relativa do ar e principalmente a dificuldade no acesso são os principais desafios.

A Brigada Alto Pantanal, gerida pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro), têm divulgados sobre as dificuldades na página no Instagram. Eles citam a nuvem de fumaça densa que pode ser vista em imagens de sobrevoo pelas áreas atingidas pelos incêndios.

Conforme monitoramento do Corpo de Bombeiros foram 107 mil hectares queimados na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul nos últimos 60 dias.

Mato Grosso do Sul em emergência ambiental

Em 10 de abril, o Governo de Mato Grosso do Sul publicou o decreto n° 25 que declara estado de emergência ambiental em todo o Estado, por 180 dias, devido às condições climáticas que favorecem a propagação de focos de incêndio sem controle. Entre as ações, estabelece as queimas prescritas.

Conforme o decreto, cabe ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) disciplinar o licenciamento da atividade de queima controlada. E a queima prescrita deve seguir as rotinas estabelecidas no Comunicado CICOE nº 01 de 15 de junho de 2022, do Centro Integrado de Coordenação Estadual.

Com relação a áreas identificadas com acúmulo de biomassa, com alto poder de combustão, identificadas pelo Sifau (Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas), o Estado poderá prescrever e autorizar a realização de queimas controladas ou de queimas prescritas, mesmo durante a vigência deste Decreto e auxiliar a realização de queimas prescritas em áreas particulares.

Também está prevista a realização de aceiros com até 50 metros de largura de cada lado de cercas de divisa de propriedade. Por fim, o decreto também dispensa o Governo de licitação para a contratação de itens e serviços pertinentes a queimadas.

Rio Paraguai em escassez hídrica

A bacia do Rio Paraguai está oficialmente em situação de escassez hídrica. A resolução da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) foi publicada em Diário Oficial nesta terça-feira (14) e considera a baixa quantidade de recursos hídricos. O Rio Paraguai caminha para a pior seca histórica, com níveis abaixo dos registrados em 1964.

A declaração é válida até 31 de outubro de 2024, podendo ser prorrogada caso as condições persistam. Essa é a terceira vez que a ANA declara escassez hídrica em rios brasileiros. A agência tem competência para tal declaração desde 2020 e o decreto ocorre após a recomendação feita na primeira reunião da Sala de Crise da BAP (Bacia do Alto Paraguai).

“Esse documento de escassez crítica hídrica, praticado pela primeira vez em 2021 na bacia do Paraná, em 2023 foi a segunda declaração no Rio Madeira. Diante do quadro que vivemos na região hidrográfica do Paraguai, equipe técnica da ANA elaborou uma nota técnica recomendando para a diretoria a declaração de situação crítica de escassez hídrica na bacia do Paraguai”, afirma o superintendente da ANA, Patrick Tadeu Thomas.

Pior seca em 60 anos

O Pantanal caminha para ter a pior seca histórica – última nesse nível é de 1964. A situação é consequência de uma união de fenômenos, como o baixo nível de chuvas no período chuvoso deste ano, as temperaturas muito acima da média e a baixa perspectiva de chuva.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, as bacias do Rio Paraguai têm registrado chuvas significativamente abaixo da média, ao longo da estação chuvosa. Até março, o déficit hídrico acumulado na bacia, somava 276 mm em média, considerando a chuva esperada no período de 938 mm e registrada de 662 mm.

As chuvas de abril amenizaram em apenas 20 mm o déficit hídrico da bacia. Além disso, é improvável que chova acima da média no próximo trimestre e mesmo que ocorram precipitações dentro da média, entre abril e setembro, 2024 será um ano mais seco que em 2020, podendo ser pior que 1964.

O baixo nível do rio já afeta a navegação do Rio Paraguai, principalmente na hidrovia para exportação de minério. E ainda deve impactar na geração de energia em centrais hidrelétricas, além do turismo, lazer e pesca.

Fonte:MM

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