Com mutirões de limpeza, expedição ambiental e atividades de conscientização, Bonito voltou a colocar a preservação da água no centro do debate local. A participação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) na Semana Municipal da Água, realizada em março de 2026, reforçou a mobilização em defesa dos rios e córregos urbanos do município, um dos principais destinos de ecoturismo do país.
O destaque da programação foi a atuação conjunta entre poder público, entidades ambientais e comunidade em uma série de ações voltadas à preservação dos recursos hídricos. Entre os resultados apresentados, um dos dados que mais chama atenção foi a retirada de mais de 400 quilos de resíduos do Córrego Bonito, afluente do Rio Formoso. O volume recolhido durante a mobilização ajuda a dimensionar um problema recorrente e, ao mesmo tempo, evidencia o peso das ações práticas quando elas são acompanhadas de orientação e participação coletiva.
A presença do Imasul na iniciativa ocorreu como parte de um esforço para ampliar a discussão sobre gestão sustentável da água e conservação dos ecossistemas aquáticos. Em um município reconhecido nacionalmente pela força do turismo ligado à natureza, a preservação dos cursos d’água não aparece apenas como tema ambiental, mas como questão estratégica para a qualidade de vida, para o equilíbrio ecológico e para a manutenção de um patrimônio natural que sustenta a identidade local.
A programação reuniu a Prefeitura de Bonito, o Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), a Polícia Militar Ambiental (PMA), o Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal do Meio Ambiente e o próprio Imasul. A proposta foi unir ações educativas e operacionais, com atividades em diferentes frentes, desde limpeza de córregos urbanos até visita técnica à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), além de uma expedição ambiental no Rio Formoso.
Mais do que cumprir uma agenda simbólica pelo mês da água, a mobilização procurou aproximar a população das discussões sobre conservação ambiental. O foco foi mostrar, na prática, que a preservação dos rios depende não apenas da atuação dos órgãos públicos, mas também da mudança de comportamento cotidiano da própria comunidade.
A expedição ambiental no Rio Formoso, realizada no dia 17 de março, foi uma das principais ações da programação. A atividade reuniu técnicos ambientais e representantes de instituições parceiras em uma iniciativa voltada à sensibilização sobre a importância dos recursos hídricos e da conservação ambiental. O Rio Formoso é apontado como um dos principais patrimônios naturais da região, o que dá à atividade um peso ainda maior dentro da proposta de valorização dos ecossistemas locais.
Gestor regional do Imasul em Bonito, Marcelo Brasil afirmou que a presença do Instituto nessas ações reforça a necessidade de trabalho conjunto entre governo e sociedade. “A participação do Imasul nessas ações fortalece a proteção dos nossos recursos naturais. O Rio Formoso é um patrimônio ambiental de Bonito e de Mato Grosso do Sul, e iniciativas como essa aproximam a comunidade das práticas de conservação, mostrando que todos têm um papel importante na preservação das águas”, destacou.
A declaração resume o principal eixo da mobilização: transformar a preservação ambiental em responsabilidade compartilhada. Em vez de restringir o debate aos órgãos técnicos, a proposta da Semana Municipal da Água foi envolver diferentes setores para ampliar o alcance da conscientização e estimular o cuidado contínuo com os rios e nascentes.
Na avaliação do diretor-presidente do Imasul, André Borges, ações desse tipo ajudam a expandir as políticas ambientais para além dos espaços institucionais e fortalecem a percepção da população sobre o valor da água. “A água é um dos recursos naturais mais valiosos que temos. Participar de ações que envolvem a comunidade e diversas instituições fortalece a consciência ambiental e contribui diretamente para a proteção dos rios e nascentes do nosso Estado”, afirmou.
A fala reforça que o debate em torno da água não se limita à preservação de paisagens naturais. Ele também envolve qualidade ambiental, saúde pública, uso sustentável dos recursos e responsabilidade coletiva sobre o território. Em cidades como Bonito, onde a natureza ocupa papel central na vida econômica e social, esse entendimento ganha ainda mais importância.
Outro ponto destacado durante a mobilização foi a associação entre educação ambiental e ações concretas de conservação. Para o diretor de Licenciamento e Fiscalização do Imasul, Luiz Mário Ferreira, o impacto tende a ser maior quando a orientação teórica vem acompanhada de atividades práticas, capazes de mostrar de forma direta os efeitos do descarte irregular de resíduos e a necessidade de preservar os cursos d’água. “Quando aliamos educação ambiental a atividades práticas, como os mutirões de limpeza e as expedições ambientais, conseguimos promover uma conscientização efetiva e gerar resultados concretos na conservação dos recursos hídricos”, explicou.
Essa linha ficou evidente nos mutirões realizados nos córregos Restinga e Bonito, cursos d’água da área urbana do município. Além da retirada de resíduos, as ações tiveram como objetivo conscientizar moradores e incentivar a participação da população na preservação dos espaços naturais. O trabalho buscou mostrar que o lixo descartado nas ruas e nas margens dos córregos não afeta apenas a paisagem urbana, mas compromete diretamente a qualidade da água e o equilíbrio do ambiente.
A visita técnica à Estação de Tratamento de Esgoto, realizada em parceria com o Instituto Mirim Ambiental, também integrou essa proposta educativa. A atividade permitiu aos participantes conhecer o funcionamento do sistema de tratamento e entender de que forma o saneamento básico se relaciona com a conservação dos recursos hídricos. Ao incluir esse tipo de ação na programação, a mobilização ampliou a discussão e mostrou que a preservação da água passa não apenas pela limpeza dos rios, mas também por infraestrutura, tratamento adequado e gestão ambiental.
No balanço das atividades, o dado sobre a retirada de mais de 400 quilos de resíduos do Córrego Bonito apareceu como um dos principais resultados práticos da semana. O volume recolhido reforça o tamanho do desafio enfrentado pelas instituições e evidencia o quanto o descarte irregular ainda impacta os cursos d’água do município.
A capitã da Polícia Militar Ambiental de Bonito, Bruna Carla, destacou justamente esse esforço de conscientização feito junto à população durante a ação. “Conscientizamos a população sobre a importância de não descartar lixo nas ruas e nos cursos d’água. Retiramos mais de 400 quilos de resíduos do Córrego Bonito, que é afluente do Rio Formoso. A união das instituições é muito importante e mostra a força do trabalho conjunto em favor dos nossos rios”, afirmou.
A participação do Corpo de Bombeiros também foi ressaltada pela capitã Sabrine Teodoro, que destacou o apoio operacional oferecido durante a mobilização. “O Corpo de Bombeiros sempre participa dessas iniciativas, auxiliando as equipes e garantindo a segurança dos participantes. Levamos equipamentos de proteção e apoio técnico para que a ação ocorresse de forma segura”, explicou.
Já a técnica do Imasul em Bonito, Luciana Vale, chamou atenção para a importância de aproximar a população dos órgãos ambientais e fortalecer essa relação ao longo do tempo. “O escritório regional do Imasul participa dessas ações há muitos anos. É fundamental que a população se aproxime das ações ambientais e compreenda o papel dos órgãos ambientais. Essas iniciativas ajudam a fortalecer essa relação e ampliar a conscientização”, comentou.
A avaliação dela reforça que a preservação ambiental depende também de confiança, diálogo e presença constante do poder público nos territórios. Quando a população entende o papel das instituições e participa das ações, o debate ambiental deixa de ser visto como algo distante e passa a fazer parte da vida cotidiana.
O secretário municipal de Meio Ambiente de Bonito, Thyago Sabino, também destacou que a iniciativa foi pensada para ir além da limpeza dos rios. “O principal objetivo dessas ações, além da limpeza dos rios, é promover a conscientização sobre a importância da preservação ambiental. Esse trabalho integrado entre as instituições fortalece os resultados e amplia o alcance das ações de educação ambiental”, afirmou.
Esse aspecto ajuda a dar um diferencial à mobilização: o foco não foi apenas recolher resíduos, mas usar a própria ação como ferramenta de aprendizado e engajamento. A retirada do lixo é uma resposta imediata a um problema visível. Já a conscientização busca enfrentar a origem desse problema, tentando reduzir a repetição do descarte irregular e criar uma cultura de preservação mais sólida.
Ao final da programação, a mensagem central deixada pela Semana Municipal da Água foi a de que a conservação dos recursos hídricos depende de ação contínua e participação coletiva. Em Bonito, onde rios, nascentes e áreas naturais têm papel decisivo no cotidiano da cidade, cuidar da água significa também cuidar do futuro do município.
A participação do Imasul nesse processo reforça esse compromisso e evidencia a tentativa de integrar educação ambiental, articulação institucional e presença da comunidade em torno de uma mesma pauta. Em vez de tratar a preservação como tarefa isolada de um único órgão, a mobilização mostrou que os resultados tendem a ser mais consistentes quando diferentes instituições atuam juntas e quando a população é chamada a fazer parte desse esforço.
No fim, o recado é direto: proteger os rios não é apenas uma obrigação ambiental, mas uma necessidade concreta para garantir sustentabilidade, qualidade de vida e preservação de um patrimônio natural que define Bonito e tem importância para todo Mato Grosso do Sul.
Fonte:Acritica