A Estância Walf, em Bonito, onde dois jovens morreram após descarga elétrica em uma tirolesa, pertence ao ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Waldir Neves Barbosa. O centro de eventos funcionava clandestinamente, sem alvará do Corpo de Bombeiros, e foi interditado nesta segunda-feira (23).
A tragédia ocorreu durante festa de casamento na estância, que fica na zona rural de Bonito. Gustavo Henrique Camargo dos Santos, 32 anos, descia na tirolesa, quando levou uma descarga elétrica e caiu na lagoa. Pedro Henrique de Jesus Martins, 21, pulou no açude para salvar o amigo e também sofreu a descarga.
Pedro Henrique foi encaminhado para o Hospital Municipal de Bonito e morreu no domingo (22). O amigo foi encaminhado em vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande, mas também não resistiu e faleceu logo após chegar à Capital.
Os bombeiros vistoriaram a Estância Walf e constataram que o local não tinha certificado de funcionamento da corporação. Sem o documento, a prefeitura não poderia liberar o alvará de funcionamento. O espaço para festas de Waldir Neves era clandestino.
“O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul informa que o local citado não possui Certificado de Vistoria emitido pela Corporação. As circunstâncias do acidente estão sendo apuradas pela Polícia Civil, a quem compete a investigação dos fatos”, informou a corporação em nota.
O sócio
A Estância Walf está em nome da Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários. A empresa foi aberta há quatro anos, no dia 23 de abril de 2021. O conselheiro do TCE é o único sócio da empresa, que tem como sede o Residencial Damha, em Campo Grande.
No ano passado, Waldir Neves e a agropecuária foram acionados na Justiça para pagar a compra de uma mansão no condomínio de luxo, onde o conselheiro reside. O imóvel custou R$ 2,7 milhões. O casal foi à Justiça para cobrar R$ 1,5 milhão. Para não ser despejado, ele fez acordo para pagar R$ 1,9 milhão em 12 vezes. Seriam 12 parcelas de R$ 50 mil e R$ 1,1 milhão em agosto deste ano.
Waldir Neves foi alvo de três operações de combate à corrupção deflagradas pela Polícia Federal – Mineração de Ouro, Terceirização de Ouro e Casa de Ouro. Ele ficou afastado do cargo e monitorado por tornozeleira eletrônica entre dezembro de 2022 e maio do ano passado.
A tragédia da tirolesa chama a atenção porque Waldir Neves é conselheiro do TCE, corte responsável por fiscalizar os poderes e que deveria dar o exemplo do cumprimento das leis.
O Jacaré procurou o advogado Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, mas ele não respondeu ao contato. Ao G1, ele afirmou que a tirolesa funcionava há quatro anos e nunca teve incidente antes.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as mortes.
Fonte: OJacaré