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Com frigoríficos “parados”, produtores de MS querem importar gado paraguaio

Esperando definição por parte do Ministério da Agricultura, sindicato de Mato Grosso do Sul sugere importar bovinos do Paraguai como forma de suplantar a redução de gado para abate no Brasil. A medida é vista, para alguns, como arriscada devido a preocupações com a febre aftosa.

O Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul) solicitou autorização junto à pasta federal para trazer animais vivos do país vizinho. De acordo com a organização, dois frigoríficos foram paralisados no Estado, reduzindo em 20% a produtividade total neste início de ano.

A pauta sanitária foi levantada por alguns pecuaristas de Mato Grosso, estado vizinho que detém maior quantidade de bovinos do País. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o consultor-técnico da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Amado de Oliveira se posicionou contra a hipótese. “Estamos há quase três décadas sem ter problemas com febre aftosa. Por causa de uma questão sazonal, de clima e falta de bezerros por conta do abate de fêmeas, querem criar problema dessa ordem”, afirmou.

Falta de gado – Na mesma publicação, o vice-presidente do Sicadems, Régis Comarella, aponta que Mato Grosso do Sul tem boa estrutura de fiscalização e inspeção de biossegurança. “As barreiras sanitárias são eficazes. A importação não geraria esse risco, até porque o Paraguai vem investindo muito no combate da aftosa”, argumentou.

A reportagem, Comarella confirma a posição e acrescenta que o mercado de carnes está sem oferta de matéria-prima bovina, com queda expressiva de aproximadamente 20% nesse quesito em janeiro de 2021. Conforme ele, a tendência nacional é de que caia em até 40% em fevereiro.

Por isso foi solicitado, junto ao Ministério da Agricultura, a importação desse boi. Ele não se manifestou ainda, vai passar por várias comissões para ver e estamos aguardando se manifestar”.

O vice-presidente do Sicadems também cita que há uma problemática envolvendo a venda de de gado bovino para o mercado de dentro e fora do Brasil. “O mercado interno tem um consumo muito abaixo do esperado e as exportações estão travadas. O preço da arroba perto de R$ 290 não ‘fecha a conta’ para o frigorífico exportar, enquanto no Paraguai sai por U$ 43 [R$ 227,22] e está mais barato”.

Outro fator que agrava a situação mercadológica da pecuária é o período de seca, que subiu o valor do alimento para esses animais. “O pessoal confina menos, e por isso os bois que eram para sair [serem abatidos] agora já saiu antes por causa da seca e está dando esse vácuo”.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há uma tendência de redução na quantidade de abates bovinos ao longo dos últimos dois anos no País. Foram 7,2 milhões no quarto trimestre de 2020, pouco abaixo do que o número verificado no trimestre anterior, 7,5 milhões. Em Mato Grosso do Sul, a pesquisa ainda não foi disponibilizada referente aos últimos três meses do ano passado.

A reportagem solicitou posicionamento e atualização dos trâmites por parte do Ministério da Agricultura, mas não foi respondida até o momento de publicação.

 

 

 

 

Fonte:CGN

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