Fernando de Noronha, lado B: série do G1 mostra desafios do lixo no 'paraíso'
2019-01-22 13:00:01
Fernando de Noronha é conhecida como paraíso. Mais recentemente, a ilha virou o refúgio queridinho dos famosos, que conjugam o verbo “noronhar-se” em legendas no Instagram. O que as fotos lindas não mostram é que, para se manter um "paraíso", é preciso muito trabalho e cuidado.

Com 100 mil visitantes por ano – recorde alcançado em 2018 -, o arquipélago que pertence a Pernambuco tem de lidar com os impactos desse turismo. Um deles é o lixo.

Noronha, que é um parque nacional, marca a estreia da série "Desafio Natureza" do G1, que terá reportagens especiais sobre as questões ambientais que desafiam esses destinos e dará dicas de como cada um pode ajudar a amenizar esses problemas.

Apesar dos controles típicos de uma área de proteção ambiental, como a limitação do número de visitantes no parque por dia, Noronha ainda tem gargalos quando se trata do tratamento do lixo, assim como acontece em outros lugares do Brasil.

A prometida coleta seletiva ainda não começou por lá, mas o arquipélago se prepara para dar um passo ousado entre os destinos turísticos do país: vetar a entrada de plástico descartável.

Reciclagem parcial
Por mês, são coletadas, em média, 220 toneladas de lixo em Noronha, mas este número pode chegar a 280 toneladas em meses como dezembro, quando o número de visitantes aumenta. Só entre o último Natal e o Ano Novo, foram 65 toneladas.

Atualmente, a usina de resíduos sólidos local faz a separação e recicla só uma pequena parte no local: vidro e parte do lixo orgânico. O restante é mandado para Recife, de barco.

Guilherme Rocha, administrador de Noronha designado pelo governo de Pernambuco, afirma que não está nos planos criar uma estação de reciclagem na ilha. Falta espaço e estrutura para lidar com esta quantidade de lixo, daí a necessidade de mandá-lo para o continente.

“Aqui a gente não tem condições de implantar um aterro. Pela situação de fragilidade da ilha, pela limitação de espaço, o lixo tem que sair daqui, não pode ficar", explica Silmara Erthal, gestora responsável substituta do ICMBio.
Esta é a sigla para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e que é responsável pela área de proteção ambiental de Noronha.

Segundo Silmara, atualmente o tratamento do lixo na ilha está organizado: "Tem alguns detalhes que precisam ser melhorados, está faltando a coleta seletiva”.

“A gente está tentando, e vai conseguir melhorar bastante em relação ao lixo. Nossa coleta seletiva está batendo na porta. Acredito que, no mais tardar, em março a gente comece", diz Edgar Amaro Júnior, responsável pelas operações da Universo Empreendimentos, que gerencia os resíduos no arquipélago.

Para dali a um mês, em 13 de abril, Noronha deve começar a restrição ao plástico descartável, mirando garrafas, copinhos, talheres e sacolas. O decreto prevê multa para quem descumprir as regras.

"A gente não quer impor a proibição na cabeça das pessoas, mas educar e conscientizar sobre o impacto positivo que será causado ao meio ambiente", disse Guilherme Rocha, atual administrador de Noronha.
Fonte: G1
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