Prêmio Sexy Hot 2018: mulheres são destaque no Oscar Pornô do Brasil em edição 'sexo com amor'
2018-10-10 14:53:00
Às 20h desta terça-feira (9), uma morena bronzeada de vestido branco justo, curto e decotado, que deixava várias tatuagens à mostra, estava sentada sozinha no balcão de uma padaria na Zona Oeste de São Paulo. Pediu pão na chapa, café preto e suco de laranja.

Ninguém no recinto parecia reconhecê-la. O reconhecimento só viria duas horas depois, quando ela recebeu, num salão de eventos a cerca de 100 metros dali, os troféus de Melhor Cena de Dupla Penetração (pelo filme “Um furacão chamado Elisa”) e Melhor Atriz Hétero (pelo filme "Negão do Zap") no Prêmio Sexy Hot 2018, o Oscar do pornô brasileiro.

Elisa Sanchez, de 37 anos, foi um dos destaques da cerimônia. "Eu não queria nem falar agora, eu queria só que vocês ouvissem o barulho do meu coração", disse no palco, emocionadíssima, com voz embargada. "Eu amo isso, não consigo falar. É muito bom", concluiu, como se quisesse eliminar qualquer possibilidade de dúvida a respeito de seu apreço pela profissão.

Este 5º Prêmio Sexy Hot foi das mulheres. Dos filmes feitos por (e para) mulheres.

Elisa Sanchez, de 37 anos, foi um dos destaques da cerimônia. "Eu não queria nem falar agora, eu queria só que vocês ouvissem o barulho do meu coração", disse no palco, emocionadíssima, com voz embargada. "Eu amo isso, não consigo falar. É muito bom", concluiu, como se quisesse eliminar qualquer possibilidade de dúvida a respeito de seu apreço pela profissão.

Este 5º Prêmio Sexy Hot foi das mulheres. Dos filmes feitos por (e para) mulheres.

Além de Elisa, consagraram-se Mila Spook (primeira diretora a ganhar em sua categoria e também vencedora do principal troféu da noite: Melhor Filme Hétero); a estrela Emme White (melhor cena de sexo oral, melhor cena de sexo anal e melhor cena homo feminina); e a campeã Patricia Kimberly (melhor cena de ménage, melhor cena de orgia e melhor atriz homo).

Sem contar May Medeiros, expoente do pornô feito para mulheres e diretora do filme "Serviço completo", que faturou na categoria Melhor Cena Homo.

Entre amigas
Antes de os troféus começarem a ser entregues, a atmosfera onde ocorre o Prêmio Sexy Hot está mais para "sexy sem ser vulgar" do que para abordagens, digamos, explícitas do tema desta noite. Tem camisinha para pegar de graça no banheiro, mas isso é tudo.

Pelo salão, entre bandejas com bebidas e comidinhas, circulam Di Ferrero, Tati Quebra Barraco, Nasi, Joaquim Ferreira dos Santos, Leandro Ramos (o Julinho da Van do "Choque de Cultura"), PC Siqueira, Catarina Abdala, Isabelita dos Patins, Núbia Oliiver, Márcia Imperator, Aritana Maroni e Jane Di Castro. Todos irão entregar os troféus aos ganhadores.

Pelo tapete vermelho que tenta dar clima estilo hollywoodiano à coisa toda, passam estrelas pornôs com vestidos de fendas recorrentes. Mas o clima é de confraternização entre amigas – e elas vão se mostrar muito habilidosas no que diz respeito a fazer comentários com sacanagem moderada.

Em algum momento, todas as atrizes indicadas se reúnem para uma foto coletiva. Ouvem-se gritinhos cúmplices quando uma delas propõe: "Encoxa, encoxa!".
Emme White resolve assumir, ali na hora: "Tô sem calcinha! Esqueci!". Risos. Em seguida, Mila Spook e a Mia Linz dão selinho. Emme fica com inveja: "Ui, também quero!". No que acabou sendo atendida.

Mais tarde, Mia levou o troféu de Melhor Cena de Fetiche por "Cabine erótica". Teve sérias dificuldades ao ajeitar o vestido para "amenizar" o decote. Da plateia, colegas atrizes não perderam a chance: "Teta! Teta! Teta!".

Quem pegou bem o espírito da coisa foi Di Ferrero, apresentador da categoria Revelação do Ano Hétero. "São tantas pessoas que já transaram com outras pessoas, quase todo mundo já transou com todo mundo e está todo mundo bem, torcendo", palpitou. "É disso que a gente precisa, e, sei lá, isso me deixa cada vez mais excitado mesmo."

Mas erra quem pensa que descontração e a desinibição reinam. Não. Vai parecer contraintuitivo, porém várias e vários premiados só podem ser descritos como tímidos. E a ponto de tremer a voz na hora dos agradecimentos. Soam encabulados. Como se fosse infinitamente mais complexo e opressivo aparecer de roupa para fazer discurso num palco do que ficar pelado para fazer sexo num set de filmagem de filme adulto.
Fonte: G1
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