Em reunião tensa, PSDB decide ficar neutro na eleição presidencial
2018-10-10 14:07:48
Em uma reunião tensa em Brasília, a Executiva Nacional do PSDB decidiu pela neutralidade no segundo turno da disputa presidencial entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

A legenda fez a declaração um dia após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugerir que não irá apoiar nenhum dos presidenciáveis. Outro cardeal do partido, o ex-governador José Serra disse nesta terça-feira (9), por meio de suas redes sociais, que seguirá a mesma linha.

No encontro, João Doria, candidato ao governo de São Paulo, defendeu que a Executiva do partido declarasse apoio ao capitão reformado do Exército. Para ele, não há a “menor condição” de o PSDB não manifestar oposição ao PT.

“Eu já tomei a minha posição, apoio Jair Bolsonaro no segundo turno. Coloquei isso com muita clareza”, disse ele, que ponderou que votou no correligionário Geraldo Alckmin no primeiro turno. “Reafirmo aqui: apoio Jair Bolsonaro para livrar o Brasil do PT e do (ex-presidente) Lula.” Ele negou, no entanto, que tenha pedido alguma contrapartida ao PSL.

“Temos que observar quais são os campos. De um lado temos um campo de esquerda, que dominou o Brasil, governou pessimamente com (os ex-presidentes) Lula e Dilma, e agora tem um fantoche chamado Fernando Haddad. E do outro campo tem proposta liberal, que eu apoio, e quer o bem do Brasil, seu crescimento econômico”, afirmou o ex-prefeito. Segundo ele, Bolsonaro “não quer implantar aqui uma ditadura venezuelana ou princípios bolivarianos”.

No momento mais tenso da reunião, Doria dizia que o PSDB deveria fazer uma autoavaliação sobre acertos e erros da legenda na eleição. No contexto dos equívocos, foi citado o apoio ao presidente Michel Temer (MDB). Alckmin, que era contra apoiar o governo emedebista, o interrompeu: “O ‘Temerista’ não era eu não, era você”. E disse, na sequência: “Você, você, você”.

O ex-prefeito disse que o presidenciável estava na frente de dois ex-ministros de Temer, José Serra e Bruno Araújo, que foram “bons ministros”, e pediu “calma, discernimento e equilíbrio, que aliás sempre foi uma característica que você teve”.

Alckmin, então, afirmou: “Traidor eu não sou”. A frase foi interpretada como uma insinuação de que o ex-prefeito, seu afilhado político, o traiu por não ter se empenhado na campanha presidencial tucana.
Fonte: Estadão
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