Sem julgamentos, campeonato de vôlei LGBT vai além do esporte e foca na inclusão
2018-09-29 10:09:51
Eles são gays, lésbicas, transexuais que, além da diversidade de gênero e orientação sexual tem no amor ao vôlei outra característica em comum. Mas o preconceito que assola a todos nos mais diversos ambientes também, como não poderia deixar de ser, acontece dentro da quadra, enquanto participam de campeonatos ou, até mesmo, brincam de rachão de vôlei - quando batem bola pela diversão. E por notar uma carência de espaços para estes atletas foi que a Casa Satine decidiu que já havia passado da hora de acolhê-los em uma Copa de Vôlei LGBT+.

O evento começou ontem e, em termos técnicos, é como qualquer outra copa de voleibol. A diferença é que os times são mistos, ou seja, qualquer pessoa, de qualquer gênero e orientação sexual - inclusive heterossexuais- podem fazer parte. De acordo com Leonardo Bastos, voluntário da Casa Satine, essa foi a forma de pensar a inclusão e foi também um pedido dos próprios atletas. "Não faria sentido você dividir times femininos e masculinos", explica.

O nível técnico dos atletas é, também, muito diverso: tem os que competem a nível nacional com times LGBT já formados e tem aqueles que mais brincam de vôlei em quadra. E a intenção, de acordo com Leonardo, é justamente essa. "A Casa Satine tem a intenção de promover o acolhimento dos jovens LGBT. Se o atleta tem vontade de jogar e isso faz bem pra ele, da maneira que seja, que ele jogue. Nossa base é o acolhimento por três pilares, da educação, da cultura e do esporte". 

Nos intervalos de cada partida o funk toca e faz os jogadores rebolarem em quadra. Por estarem "em casa", não são julgados, diferente do que aconteceria em outros campeonatos. Ao menos é que o diz João Vinícius, jogador do time Winx, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

"O preconceito acontece sim no esporte. Já aconteceu comigo, quando estava jogando pela Universidade, de o público começar a mexer, criar apelido. Hoje eu já não ligo mais pra isso mas mesmo assim não como não ouvir a brincadeira e é cansativo, por mais que já não me afete", explica ele.

Júnior, responsável pelo time AVQ e voluntário da Casa Satine, concorda e diz que na Copa os atletas não precisam fingir outra personalidade para não serem julgados. "Nosso jeito não interfere na nossa qualidade em quadra, é isso que a gente quer mostrar aqui. E como a gente não gosta de se limitar também fazemos questão de que héteros entrem nos times".

O AVQ é um dos oito times que concorrem ao grande prêmio de R$ 1 mil para o vencedor do primeiro lugar da Copa. Segundo e terceiro lugar ganham troféus e medalhas. 

"O AVQ tem 10 anos de história. Foi criado pelo Mauro Simões e eu assumi a bronca há uns anos. Temos um time base que joga junto todo esse tempo e, para campeonatos, nós convidamos atletas de fora, como é o caso da Thayra, atleta trans que veio de Mato Grosso jogar com a gente", explica.

Há dois meses o time, um dos favoritos da Copa, foi para São Paulo disputar os Jogos Gays e Júnior diz que é claro a diferença de mentalidade dos patrocinadores. "Como organizador a gente nota a grande dificuldade que é, em Campo Grande, ter uma marca que apoie, que se ligue, com o público LGBT. Por isso é tão importante que o poder público colabore conosco. Pra se ter noção, para fazer um campeonato de três dias como o nosso é possível, no máximo, dez times e não temos oito. Isso é uma quantidade considerável e até grande para atletas que ficam muitas vezes invisíveis em outros locais", completa ele.

A abertura do evento foi AVQ contra Fadas Pantaneiras. Hoje acontece a eliminatórias com jogos classificatórios entre AAENG, Winx, Ladário, MVC, Malibu, e PSG Volei. A final e a premiação acontece no domingo no ginásio do Clube Campestre Ypê. 

E como a intenção é não deixar a diversão de lado, a organização não deixou passar em branco o visual dos atletas em quadra, com seus shorts curtos, e decidiu que ao final dos campeonatos vai eleger os vencedores nas categorias de "melhor coxa", "melhor front" e "mais afeminado". 
Fonte: CGN
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