IDH: brasileiras estudam mais, mas ganham menos que homens
2018-09-15 11:44:33
O Brasil ficou estagnado na 79ª colocação pelo terceiro ano consecutivo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Entre os fatores que pesam para essa estagnação está a desigualdade de gênero no país.

De acordo com o relatório da ONU, as mulheres brasileiras estudam mais que os homens, mas ganham 42,7% menos que eles. A renda nacional bruta per capita feminina é de 10.073 dólares, contra 17.566 dólares dos homens. Por conta dessa diferença, o IDH dos homens é maior que o das mulheres – 0,761 e 0,755, respectivamente -, já que em outros quesitos as brasileiras vão melhor que os brasileiros.

A expectativa de vida das brasileiras é maior que a dos homens: 79,3 anos, contra 72,1 anos. Os anos de estudo das mulheres também é maior que dos homens: 8 anos, contra 7,7 anos.

A desigualdade de gênero também se reproduz na política. O país com menor IDH mundial, Níger, tem mais mulheres no Parlamento do que o Brasil. O Congresso Nacional apresenta 11,3% das cadeiras ocupadas por deputadas e senadoras. Em Níger, são 17%. A participação das mulheres na política é um dos aspectos observados pelo PNUD para avaliar a desigualdade de gênero nos países.

Além da participação, são consideradas as taxas de mortalidade materna, a taxa de natalidade de mães adolescentes, a educação secundária além da participação na força de trabalho. Nesse indicador, batizado de Índice de Desigualdade de Gênero, o Brasil está entre a metade com as piores colocações. De 160 países, ele ocupa a 94ª posição.

A colocação está bem abaixo dos nossos vizinhos. Argentina, por exemplo, está na 81ª posição e o Uruguai, na 57ª posição. Esse desempenho se explica. A taxa brasileira de mortalidade materna, por exemplo, é de 44 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos -o dobro do que o apresentado no Chile e 3,5 vezes do que o apresentado no Uruguai.

A proporção de meninas entre 15 e 19 anos que se tornam mães no Brasil também é expressivamente maior. A cada mil mulheres nessa faixa etária, 61,6 se tornam mães. No Chile, a proporção é de 45,6 e no Uruguai, 54,7.
Fonte: Estadão
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