Festival de Blues e Jazz: excelente produção e som de qualidade
2018-09-10 09:47:44

“Se você só tomou um gole de gim e nunca bebeu a garrafa até o fim, se você nunca teve um dia de cão, você nunca vai saber o que é o blues”. Essa frase do saudoso Renato Fernandes, ex-vocalista da Bêbados Habilidosos pode ser de inspiração para uma outra frase que escrevi quando deparei com a produção do 5º Festival de Blues e Jazz de Bonito: “Se você não sabe realmente fazer algo de bom, não faça. Dedique-se o máximo e crie algo que vai deixar as pessoas felizes por todo seu esforço que fez para satisfazer outras”.

Ontem começou o evento que já entra em seu quinto ano de luta e que com certeza quem foi ficou maravilhado com toda a produção e atenção que os organizadores Afonso Rodrigo Jr. e Carlos Porto tiveram com o público. Um espaço que deixa a vontade especial para ouvir um som mais que “especial” que é o blues e jazz.

O primeiro dia do Festival de Blues e Jazz de Bonito mostrou que esse evento cresceu e o público que é restrito, abraçou calorosamente tudo. A programação não poderia ser melhor justamente na abertura que contou com nada menos do que uma das melhores bandas de blues do país, a carioca Blues Etílicos. Ela que tem uma carreira consagrada no gênero e que toca o verdadeiro blues nascido as margens do rio Mississipi no sul dos Estados Unidos, por volta de 1870, quando os escravos das fazendas de algodão criavam e cantavam melodias lentas e chorosas, que além de marcar o ritmo, mostrava a expressão de um povo desprezado e marginalizado.

Quem abriu o Festival de Blues e Jazz foi o músico, Clayton Salles, que com sua gaita vem a cada apresentação, um estilo que os apreciadores do blues amam. E é fundamental esse instrumento para o estilo, e o artista ultimamente vem conquistando espaço a cada apresentação, demonstrando que não é apenas um apreciador da música americana, e sim um excelente artista e que merece uma maior atenção.

A produção do Bonito Blues Jazz Festival deu oportunidade para uma banda local nesse primeiro dia: Tubarões do Rio Formoso. Na realidade, é uma banda voltada mais para o rock e muito boa. No entanto, foram infelizes no repertório. A banda fez uma miscelânea musical com passagens do rock brasileiro, reggae e até mesmo Pink Floyd. Não que ela complicou, só que o repertório foi errado para o evento (mesmo algumas pessoas gostando). Quem vai para um festival desse, está querendo ouvir blues e jazz conforme anunciado, e não rock. Necessário que seus músicos prestem a atenção quando forem tocar para um público diferenciado.

Por fim veio a apresentação da esperada Blues Etílicos. A banda que já abriu show para lendas do gênero como Buddy Guy e o mestre B.B King e criou um público fiel em todo o país. Tendo a frente o cantor e guitarrista Greg Wilson – norte americano, mas criado no Brasil – a Blues Etílicos deu uma bela mostra do seu feeling que conquistou muito gente nesses mais de 30 anos de carreira. Um show marcante com o puro blues e que valeu a pena ficar até após 2 horas da manhã fria com os toques mágicos da guitarra mesclada com o rasgado da gaita e a voz marcante do cantor.


Fonte: Alex Fraga
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