Dominique Bernal traz blues ternário para Bonito
2018-08-28 11:21:04
Dominique aposta em ponte cultural entre MS, Paraguai e Argentina

Dominique Bernal é uma das atrações mais esperadas do Bonito Blues & Jazz Festival, que acontece entre 6 e 8 de setembro, no Centro de Múltiplo Uso (CMU), em Bonito (MS). O gaitista, saxofonista e cantor paraguaio vai se apresentar com sua banda Vérsion Palma Loma Blues e ainda terá como convidado o pianista e produtor argentino radicado em Assunção, Willy Suchar. Dominique chama a atenção na programação do festival porque faz um blues diferente do convencional, em que ele utiliza o compasso ternário e a batida de ritmos paraguaios, como a polca e a guarânia. Na entrevista, o músico fala de sua expectativa em tocar pela primeira vez em solo sul-mato-grossense, enumera sua influências e conta como vem tendo contato com a música de MS desde o ano de 2004.

Qual a sua conexão com a música de Mato Grosso do Sul?

Minha primeira conexão com a música de Mato Grosso do Sul foi em 2004, em Assunção, com a banda Olho de Gato e o Rodrigo Teixeira. Foi também a primeira vez que ouvi polca-rock. Nove anos depois, gravei meu primeiro álbum, com músicas que explorava a polca-blues. Conhecer a música sul-mato-grossense mudou minha maneira de ver a relação entre o folclore e a música moderna. Por isso, estou emocionado em conhecer o Mato Grosso do Sul e empolgado para tocar no festival.

O que você está preparando para o show de Bonito?

Estamos preparando, com a banda Vérsion Palma Loma Blues, um show com muitos ingredientes: blues ternários, blues tradicionais com identidade paraguaia e um convidado de luxo, o meu grande amigo Willy Suchar.

Fale um pouco sobre essa fusão que você faz com blues e ritmos ternários. O que é essa mistura?

O blues é um gênero musical completamente estranho para a América do Sul. Para torná-lo mais digerível para o cidadão comum, acho absolutamente necessário torná-lo regional. Minha maneira de conseguir isso é misturando-o com o folclore do Paraguai e seus arredores. Não só com música folclórica, mas também com o vocabulário e vivências do nosso ambiente.

Quais são os seus gaitistas preferidos, que servem de referência?

Sonny Boy! Aquele homem tinha autoridade! Eu também ouço Magic Dick, Junior Wells e Jimmy Markham. Na América do Sul, eu ouço Hugo Díaz e Mariano Massolo da Argentina, o Eduardo White do Uruguai, a Indiara Sfair e Flávio Guimarães do Brasil e gaitistas (armoniquistas) do folclore do Paraguai.

Você vive entre Corrientes, Assunção e Luque. Fale um pouco sobre essa troca entre a Argentina e o Paraguai e como está a realidade do blues nesse circuito.

Nasci em Assunção, mas sempre quis morar em Luque, então quando fiz 23 anos mudei para a cidade da música por 8 anos. Há quase um ano que a vida me trouxe para Corrientes, mas o meu amor para o Paraguai e Luque levam-me a viajar a cada duas semanas para visitar a minha terra, para ensinar gaita e saxofone e ensaiar com a banda. O blues é uma minoria em toda esta área. Tanto no Paraguai como no nordeste argentino ainda há pouco espaço para o blues, mas o crescimento é notório e a melhora é sentida a cada ano. Há mais festivais, mais shows, novas bandas. Argentina e Paraguai estão começando a consumir artistas de blues e, assim, enriquecer o cenário musical. Agora, com o Bonito Blues & Jazz Festival, uma nova porta se abre para o blues, para o jazz, para os músicos, para a cultura e para todas as pessoas. Estamos construindo esta troca musical entre Mato Grosso do Sul, Assunção e agora Corrientes.

Mais informações: @bonitoblues

Fonte: Matula Cultural
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