Saiba porquê estas adolescentes são colecionadoras de livros
2018-08-09 16:11:42
O insetinho que desperta o prazer pela leitura está picando os adolescentes desta geração. Mesmo com um leque de dispositivos eletrônicos a disposição, a paixão pelos livros acomete os jovens com esta “doença” saudável que é o vício pela leitura e as fazem ser colecionadoras de livros.

Em 2015 a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livros revelou um dado interessante. Entre os que afirmam que leem por gosto, a grande maioria compõe-se e adolescentes entre 11 e 13 anos (42%) e crianças de 5 a 10 anos (40%).

Outro indicativo é o perceptível aumento de esforços do mercado editorial direcionado aos jovens. Sagas e coleções infanto-juvenis vem ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras das livrarias e, com isso, impulsionam os ávidos jovens leitores em busca dos novos lançamentos.

Em mais um capítulo do especial sobre bibliotecas e a Lei 12.224, contamos um pouco sobre adolescentes que amam ler e são colecionadoras de livros.

“Sair da realidade”
Com a meta de ler 50 livros em 2018, Fernanda Sanches Machado Rocha, de 13 anos tem no mínimo 40 livros em sua estante – entre eles, 5 em inglês -, mas este número não representa a quantidade de livros que já leu. “Eu só guardo os meus preferidos, os outros eu troco no sebo”, diz ela. Até o momento, Fernanda já leu 29 livros.

“Sempre gostei de ler e lia gibi,  mas parei de ler por um tempo”, conta ela. Mas o livro de fantasia “Enraizados” recobrou a avidez pela leitura. “Depois que li este livro pensei ‘ler é tão legal, porque eu parei?’”, questionou-se. Ela também lê livros digitais, mas prefere os de papel.

“Livro para mim é um jeito de sair da realidade, a gente pode entrar em qualquer história e se perder totalmente. Leitura é uma coisa que muda a vida. Quanto mais a gente lê, mais forma seu caráter. É um jeito diferente de se divertir, se entreter e escapar do celular”, define.

A mãe de Fernanda, a médica Magali da Silva Sanches Machado, de 54 anos, acha muito interessante este gosto pela leitura. “Ainda mais nesses dias de hoje que a gente vê eles no celular. Acho muito interessante ela gostar de ler. Abre um outro mundo, aumenta o vocabulário”, avalia Magali e conta que Fernanda até influencia os amigos.

O gosto da filha é tamanho que às vezes é preciso refrear os impulsos. “Se ela vai na livraria, quer comprar uns 4 ou 5 livros, então às vezes dou uma segurada. Às vezes eu digo ‘não aguento mais comprar livro’, mas meu marido diz ‘não reclama’. A gente fala assim brincando, mas gosto muito desse hábito dela”, explica.

“Um trem invisível”
A vida de leitora de Giovanna Pereira, de 14 anos, é dividida entre a época em que apenas gostava de ler e agora, que é viciada em leitura. O responsável por isso foi um livro dado de aniversário pela avó. Nos nichos do seu quarto estão distribuídos cerca de 60 livros, entre os que leu a pedido da escola e os que comprou e ganhou. Ela não se desfaz de nenhum. “Eu tenho dó”, explica.

Neste ano ela já leu 11 livros e tem 17 publicações na sua lista de desejos. Mas seu sonho de consumo é a coleção “Instrumentos Mortais”. “Não é de terror”, adverte, “mas tem tema sobrenatural”, adiciona.

“Ler é viajar momentaneamente para lugares que você nunca vai conseguir ir. É como se fosse um ticket ou bilhete de um trem invisível para um lugar inalcançável na realidade. A leitura faz a pessoa ter sonhos e querer ler mais”, detalha Giovanna.

Vitória Gomes Rodrigues, de 14 anos, é outra das colecionadoras de livros e tem um acervo um pouco menor, com cerca de 30 livros. Ela conta que na 6ª série sua família mudou-se de cidade e na nova escola havia um projeto de leitura nas férias. “A escola de antes não incentivava a leitura”, conta.

Com a incumbência da escola para as férias, ela não só escolheu e leu o livro, como descobriu a paixão pelas histórias. “Eu achei um livro com histórias de garotas normais, baseadas em histórias das princesas, eu gostei muito”, relata ela.

400 livros
Júlia Mazzini ainda não é adolescente, tem 9 anos, mas quando chegar lá vai bater, não só os da sua idade, mas também adultos. Na verdade, já bate. Segundo seu pai, o jornalista André Mazzini, “ela já deve ter lido uns 400 livros. Ela tem muito mais livros do que eu e minha esposa já lemos na vida inteira”.
Fonte: MM
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