Seminário discute formas de acesso ao turismo para as camadas mais pobres da população
2018-06-20 11:07:09

Seminário Internacional Turismo e Direitos num Mapa de Contradições colocou em pauta o acesso ao turismo da população com menos poder aquisitivo com os turismólogos Marcelo Vilela, Adjane de Araújo e Erica Schenkel.

Promovendo o “Seminário Internacional Turismo e Direitos num Mapa de Contradições”, o Sesc 24 de Maio colocou em pauta o tema “Turismo para quem?” na mesa que aconteceu no início de junho em São Paulo. Com a participação dos turismólogos Marcelo Vilela, Adjane de Araújo e Erica Schenkel, eles debateram com o público as formas de possibilitar o acesso ao turismo de camadas da população que tradicionalmente estão ausentes do mercado convencional de viagem.

Erica Schenkel, Professora do Departamento de Geografia e Turismo da Universidad Nacional del Sur, Argentina, destacou a diferença de acesso ao turismo de lazer entre a Europa e a América Latina.

“Cerca de 70% da população europeia tem acesso ao turismo anualmente e nas regiões nórdicas chega a 90%. Quando fazemos a aproximação para a América Latina, reparamos que três países como México, Brasil e Argentina tem acesso ao turismo com cerca de 45% da população, mas quando falamos de Peru, Chile, isso vai diminuindo. Cinco a cada sete latinos não tem acesso ao turismo por não formarem o conjunto necessário para passar a barreira econômica do mercado”.

Para Adjane de Araújo, professora no Curso de Turismo da Universidade Federal da Paraíba, o acesso ao lazer de baixo custo tem sido diminuído por conta da urbanização turística que transforma a cara da região.

“A praia, por exemplo, era um espaço de classes privilegiadas, mas foi se transformando em um lugar de uso democrático e diversificado. A urbanização turística transforma a paisagem natural em local de consumo e isso já caracteriza um espaço de seletividade social em um ambiente como a praia. Quando se tem taxas do turismo, muitas vezes elas terminam tento o objetivo mais de tributação do que transformar o turismo daquele lugar de forma sustentável”.

Adjane usou o exemplo de Fernando de Noronha, em Pernambuco, que apesar de ser um ambiente que poderia proporcionar um lazer de baixo custo, as tributações para se hospedar na região afasta a possibilidade visitação para turistas com menos poder aquisitivo.

“Além de serem conhecidos como farofeiros, levam o estigma de pobre, agitador, bagunceiro, que causam sensação de invasão e feiúra nos espaços da praia. Não ter o farofeiro na praia é desejável, então a taxa de turismo acaba causando a sua exclusão desse público. Desrespeita o direito de ir e vir, o direito de lazer, de acesso à praia. A partir do momento que o acesso a praia se torna limitado, isso elimina a possibilidade de lazer de baixo custo”.


Fonte: PR
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