Japão demonstra preocupação com fim de manobras de EUA e Coreia do Sul
2018-06-13 15:30:25
O ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, mostrou nesta quarta-feira (13) sua preocupação com a prevista suspensão das manobras militares da Coreia do Sul e Estados Unidos, dado o importante papel que acredita ter na segurança da Ásia Oriental.

“As manobras entre Coreia do Sul, Estados Unidos e o grosso das tropas americanas em território sul-coreano desempenham um papel muito importante na segurança da Ásia Oriental. Quero transmitir esta ideia para Washington e Seul“, disse Onodera, em declarações aos veículos de imprensa locais.

O ministro japonês expressou desta forma o receio perante o súbito anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a histórica cúpula em Singapura com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Trump e Kim protagonizaram ontem um cordial encontro onde o líder norte-coreano reafirmou seu compromisso com a desnuclearização da península e os Estados Unidos ofereceram garantias de segurança ao regime.

Em uma avaliação que reflete o ceticismo demonstrado por Tóquio sobre a aproximação de Washington a Pyongyang, Onodera disse hoje que o Japão “não vai mudar sua postura na hora de continuar pressionando (a Coreia do Norte)” e que não tem intenção de modificar seu “sistema de vigilância enquanto não houver ações concretas”. “Queremos que a mudança na política (da Coreia do Norte) seja visível”, insistiu o ministro.

O ministro porta-voz do Executivo, Yoshihide Suga, concordou hoje com Onodera em continuar mantendo a pressão sobre o regime, mas avaliou positivamente a cúpula em que “pelo menos se falou de desnuclearização, comparado com a situação extremadamente tensa de antes”, afirmou, em uma entrevista coletiva.

Suga também disse que Tóquio está disposto a oferecer ajuda econômica “quando Pyongyang avançar no processo de desnuclearização e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) puder entrar para verificar isso”.

O porta-voz do governo japonês disse ainda que o Japão entende que uma questão como a desnuclearização do regime “não pode ser encerrada com apenas uma reunião” e que colaborará “estreitamente” com os Estados Unidos para atingir “uma paz verdadeira na Ásia Oriental”.
Fonte: Estadão
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