Infecção pelo zika vírus pode levar a esquizofrenia e autismo
2018-06-07 15:30:26
Coloque o texto ..Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros indica que as crianças afetadas pelo zika vírus podem desenvolver ao longo da vida transtornos neurológicas, distúrbios de comportamento, como esquizofrenia e autismo, problemas de memória e consequências motoras, tanto em crianças com microcefalia quanto as crianças que não apresentaram a doença. Segundo o Science Daily, os resultados, publicados nesta quarta-feira no periódico Science Translational Medicine, indicaram os camundongos avaliados ainda tinham o vírus da zika no cérebro mesmo depois de chegarem a vida adulta. 

Zika Vírus
O zika é um arbovírus, ou seja, sua transmissão ocorre principalmente através de mosquitos, em especial pelo Aedes aegypti, mas também pode ser adquirido através do contato sexual e pela transfusão de sangue. Quando se manifesta em adultos, os sintomas duram alguns dias e são leves, como erupções cutâneas, conjuntivite, artralgia e febre leve.

No entanto, o surto de 2015 no Brasil demonstrou pela primeira vez que a infecção por esse vírus pode ter consequências devastadoras para mulheres grávidas e seus fetos. Durante a epidemia, foi possível perceber a conexão entre a microcefalia e infecção pelo zika durante a gravidez, embora os cientistas afirmem que apenas 10% das crianças infectadas desenvolvam a doença. Também ficou claro que mesmo os bebês nascidos sem microcefalia podem desenvolver sintomas associados à infecção.

Apesar disso, a comunidade médica não era capaz de prever as consequências a longo prazo para essas crianças. Por isso, os cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiram realizar um estudo sobre o assunto. A pesquisa demonstrou que vários sintomas da doença não são superados na vida adulta, como é o caso da perda de peso, dos déficits cognitivos e da função motora comprometida.

Consequências futuras
Usando ratos infectados com o vírus zika logo após o nascimento, a equipe de pesquisa percebeu que a memória e a sociabilidade dos animais adultos também foram afetadas, o que pode estar ligado a observações feitas por outros pesquisadores de que a exposição viral pouco antes ou após o nascimento pode estar associada ao desenvolvimento tardio do autismo e da esquizofrenia.

Outra análise indicou que, assim como os bebês expostos à doença ainda no útero da mãe, os ratos jovens também tinham convulsões espontâneas. Enquanto a maioria dos camundongos não sofreu convulsões logo após o nascimento, 65% deles tiveram no nono dia após a infecção; e 90% dos ratos apresentaram episódios de convulsão no dia 12. No entanto, ao atingir a idade adulta, eles não tiveram mais convulsões, exceto quando expostos a produtos químicos, indicando que, embora as convulsões espontâneas possam ter sido resolvidas à medida que os animais envelheciam, os danos causados ​​ao cérebro eram permanentes.
Fonte: Veja
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