Vinicius Lummertz: "As novas ideias para o turismo"
2018-05-09 09:05:18

“A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, está em escapar das ideias antigas”. A frase do célebre economista inglês John Keynes (1883-1946) ilustra bem a atual realidade do turismo brasileiro. Estamos em uma bifurcação, em que um caminho aponta para a mudança de paradigma na condução das políticas de turismo e o outro para a manutenção de um modelo visivelmente esgotado, no qual o setor não é visto como prioridade de Estado e nem explorado em todo o seu potencial.

Parece bem simples a tomada de posição se olharmos com atenção os números do turismo internacional, que vêm confrontando o cenário de crise econômica nos principais mercados mundiais. Em 2017, o setor cresceu 7% com a circulação de 1,3 bilhão de viajantes, alcançando o melhor resultado dos últimos sete anos, de acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT). A movimentação econômica do período foi de US$ 7,6 trilhões, ou 10% do PIB mundial.

O número de empregos gerados pelo turismo também é impactante. Durante a 8ª Reunião dos Ministros do Turismo do G20, realizada em abril na Argentina, foram apresentados os últimos dados referentes à força de trabalho no setor. De acordo com o Conselho Mundial de Turismo e Viagens (WTTC), o turismo é responsável por um em cada 10 empregos no mundo.

Somente em 2017, de cada 5 novos postos de trabalho ocupados, 1 foi pelo turismo. Esse dado comprova o poder transformador de nosso setor, que continua empregando enquanto diversas empresas estão fechando suas vagas. Aliás, a tendência mundial é exatamente essa: que o turismo continue crescendo. Se a tecnologia muitas vezes tira o emprego do trabalhador da indústria, por exemplo, no turismo ela é uma aliada na criação e concepção de novos produtos turísticos, auxiliando o turista desde o planejamento até a realização da viagem.

Diante dessa nova realidade, sugeri ao grupo de ministros para trabalharmos um novo mote para o setor. A proposta foi aceita e nossa linha condutora a partir de agora será “turismo, trabalhamos para gerar empregos”, direcionando nossa comunicação para o potencial de desenvolvimento econômico de nossa atividade.

O Ministério do Turismo escolheu o lado das ideias novas e trabalha com uma agenda de iniciativas para superar gargalos históricos e impulsionar o setor, que contribuiu com R$ 520 bilhões para o PIB nacional em 2017 e emprega, direta e indiretamente, 7 milhões de brasileiros.

Adotamos medidas de facilitação de viagens com objetivo de ampliar o fluxo internacional, um dos indicadores que revelam a necessidade de se promover um choque de gestão no setor: o Brasil registrou a entrada de 6,6 milhões em 2017, enquanto a França recebeu 89 milhões; a Espanha, 82 milhões, e os Estados Unidos, 76,5 milhões. Implantamos o visto eletrônico inicialmente para viajantes dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. Somente nos dois primeiros meses do ano, houve aumento de 48,2% no número de solicitações de e-visa por parte desses países. Aguardamos deliberação do Congresso sobre a proposta de abertura de 100% do capital das empresas aéreas nacionais para investidores estrangeiros, iniciativa que pode ampliar o número de empresas e voos em operação, beneficiando também o mercado doméstico. Da mesma forma, está sob análise a mudança de status da Embratur, que passaria a funcionar como agência, com mais independência para turbinar a promoção do Brasil lá fora.

Sabemos que nenhum plano de desenvolvimento se sustenta se não houver injeção de recursos. Assim, lançamos este ano o Prodetur + Turismo com R$ 5 bilhões disponíveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e BNDES para financiar projetos de estados e municípios, a exemplo do Mato Grosso do Sul que poderá participar para desenvolver seus destinos e regiões turísticas.

Precisamos das novas e boas ideias para avançar neste processo de transformação que fará o Brasil caminhar lado a lado com os países que apostaram no turismo como vetor para o desenvolvimento. Nosso país precisa recuperar a capacidade de imaginar o seu futuro.

Fonte: CE
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