PF realiza buscas no apartamento do ex-governador Puccinelli
2017-11-14 07:50:34
Operação Papiros de Lama cumpre dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 24 de busca e apreensão.

Policiais federais entraram por volta das 6:00 h (de MS) desta terça-feira
(14) no prédio onde mora o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André
Puccinelli (PMDB), em Campo Grande. Segundo o advogado Renê Siufi, que
atua na defesa de Puccinelli, policiais fazem busca no apartamento dele.
O advogado disse ainda que não tem informações sobre mandado prisão.


A ação faz parte da 5ª fase da operação Lama Asfáltica. A Polícia
Federal também está em outros endereços. Na capital, há policiais
federais em pelo menos outros dois prédios residenciais e há mandados
sendo cumpridos ainda em Nioaque, Aquidauana e São Paulo.


Além do apartamento do ex-governador, policiais estiveram no do filho
dele, André Puccinelli Júnior. Ele foi levado para a Superintendência da
PF. A polícia ainda não confirma qual é o mandado relacionado a ele.

André Puccinelli Júnior chega à Superintendência da PF, em Campo Grande, MS (Foto: Ginez César/ TV Morena) André Puccinelli Júnior chega à Superintendência da PF, em Campo Grande, MS (Foto: Ginez César/ TV Morena)

André Puccinelli Júnior chega à Superintendência da PF, em Campo Grande, MS (Foto: Ginez César/ TV Morena)

Corrupção


De acordo com a Polícia Federal (PF), a operação Papiros de Lama tem
objetivo de cumprir dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão
temporária, seis de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada
por policiais para prestar depoimento, e 24 de busca e apreensão.


A Controladoria-Geral da União (CGU) também integra a ação. Valores nas
contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas foram
apreendidos.


Conforme a PF, a investigação que resultou na Papiros de Lama tem como
objetivo acabar com grupo suspeito de desviar R$ 235 milhões em recursos
públicos por meio do direcionamento de licitações públicas,
superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de
produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a
atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários
com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.


Ainda conforme a PF, a propina era mascarada de diversas formas. Uma
delas, era a compra, sem justificativa plausível, de obras jurídicas,
por parte de empresa concessionária de serviço público e direcionamento
dos lucros, por interposta pessoa, a integrante do grupo investigado.

PF deflagra 5ª fase da operação Lama Asfáltica em MS e SP

PF deflagra 5ª fase da operação Lama Asfáltica em MS e SP

No apartamento do ex-governador

Em maio deste ano, policiais estiveram no apartamento de Puccinelli, no bairro Jardim dos Estados, e o levaram em viatura caracterizada à Superintendência da PF. Foi cumprido mandado de condução coercitiva. Em 2016 a primeira busca no local, no âmbito da operação Fazendas de Lama.


Policiais e servidores da CGU e da Receita Federal foram também à
Secretaria de Estado de Fazenda e à Secretaria de Estado de Educação,
ambas no Parque dos Poderes, à casa do filho do ex-governador, fazendas,
à empresas de informática, frigorífico e residências.

Polícia Federal em prédio residencial no bairro Santa Fé, em Campo Grande, MS (Foto: Maureen Mattiello/ TV Morena) Polícia Federal em prédio residencial no bairro Santa Fé, em Campo Grande, MS (Foto: Maureen Mattiello/ TV Morena)

Polícia Federal em prédio residencial no bairro Santa Fé, em Campo Grande, MS (Foto: Maureen Mattiello/ TV Morena)

Outras fases da operação

A primeira operação da PF sobre desvio de dinheiro público em gestões anteriores do
governo do Estado foi deflagrada em 9 de julho de 2015. A ação apurava
fraude em obras públicas. Em uma delas, grama que deveria ser plantada
ao longo de três rodovias era substituída por capim. Todos os
investigados negaram as acusações.

Em 10 de maio de 2016 a segunda fase da investigação:
a operação Fazendas de Lama. Esta foi a primeira vez que a PF esteve na
casa do ex-governador André Puccinelli. Investigação da PF, CGU e
Receita indicaram que o dinheiro obtido com corrupção foi usado para
compra de fazendas, daí o nome da ação.

Em julho de 2016 CGU, Receita e PF deflagraram a terceira fase da operação: a
Aviões de Lama. Apurações apontaram que os investigados sobre corrupção
estavam revendendo bens de alto valor e dividindo o dinheiro com
diversas pessoas, com objetivo de ocultar a origem.


A quarta fase foi em maio de 2017. Conforme a PF, os alvos direcionavam
licitações públicas, superfaturavam obras, faziam aquisição fictícia ou
ilícita de produtos e corrompiam agentes públicos. Os recursos
desviados resultaram em lavagem de dinheiro. 

Fonte: G1
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