Apesar da abundância, cresce a preocupação com a preservação de fontes e uso racional da água em Campo Grande
2017-10-31 13:23:35
Campo Grande � uma cidade privilegiada em termos de recursos h�dricos. Localizada no centro do territ�rio sul-mato-grossense, est� no divisor de �gua de duas das principais bacias hidrogr�ficas do pa�s. A do Paran�, para onde corre pela sub-bacia do Pardo, a maior parte da �gua dos seus 33 c�rregos, e a do Paraguai, para onde segue uma pequena por��o, rumo ao Pantanal.

Apesar de n�o possuir grandes cursos d?�gua, fontes superficiais, como os c�rregos Guariroba e Lageado, e subterr�neas, como o Aqu�fero Guarani, por exemplo, asseguram �gua em quantidade e em qualidade para o abastecimento dos seus 874 mil habitantes (estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia ? IBGE, para 2017).

Mesmo com a estiagem prolongada enfrentada pela cidade este ano, que afetou principalmente a capita��o no Lageado, a concession�ria respons�vel pelo fornecimento de �gua e tamb�m pela coleta e tratamento de esgoto, a �guas Guariroba, aponta que o sistema de capta��o e distribui��o opera com uma folga de 30%, entre a oferta e a demanda, e que esse mesmo complexo, com ajustes m�nimos e sem grandes investimentos, teria condi��es de atender o crescente consumo da capital sul-mato-grossense por pelo menos mais dez anos.

Apesar da abund�ncia de recursos h�dricos, cresce a preocupa��o no munic�pio, assim como em todo o pa�s, com a preserva��o das fontes e uso racional da �gua, visando assegurar o abastecimento da cidade a m�dio e longo prazo. Neste sentido, foram criadas leis e normas para resguard�-los e est�o sendo desenvolvidas v�rias a��es para garantir o uso sustent�vel.

Esse esfor�o que envolve o Poder P�blico, a concession�ria, entidades e a popula��o tem iniciativas voltadas a preserva��o e recupera��o dos recursos h�dricos, conscientiza��o sobre o uso racional da �gua, combate as perdas na distribui��o e amplia��o da rede coletora e tratamento de esgoto.

Produtor de �gua

Na �rea de preserva��o e recupera��o dos recursos h�dricos uma das principais a��es que v�m sendo realizadas em Campo Grande � o ?Programa Manancial Vivo?. Desenvolvido pela prefeitura por meio da secretaria municipal do Meio Ambiente e Gest�o Urbana (Semadur), nasceu a partir do projeto ?Produtor de �gua?, da Ag�ncia Nacional de �guas (ANA), do governo federal.
� implementado na bacia do c�rrego Guariroba, principal manancial superficial de abastecimento da cidade.

O coordenador do programa, o bi�logo Marcos Andrey Alves Meira, relata que a iniciativa foi criada em 2009 e que � de auto ades�o, ou seja, s�o os propriet�rios de �reas na bacia onde ele � desenvolvido que t�m de manifestar interesse em se integrar ao trabalho, no momento em que s�o abertos os editais de participa��o.


Segundo ele, o "Manancial Vivo" foi uma forma do munic�pio impedir o agravamento dos processos erosivos que estavam ocorrendo nas propriedades rurais da bacia, devido a aus�ncia de pr�ticas conservacionistas para proteger solos muito arenosos e fr�geis, e que estavam amea�ando esse importante manancial. Ao mesmo tempo disponibilizou aos produtores as ferramentas e o apoio necess�rio para recuperar as �reas degradadas e conserv�-las.

Desde 1995 toda a extens�o da bacia, 36,2 mil hectares, foi transformada em uma �rea de Prote��o Ambiental, a APA dos Mananciais do C�rrego Guariroba. Seis anos depois, a bacia do outro manancial superficial de abastecimento da cidade, o Lageado, que tem 5,2 mil hectares, recebeu a mesma prote��o. Em uma parceria entre o munic�pio e a concession�ria foram realizados estudos sobre as duas bacias, criados conselhos gestores e elaborados planos de manejo.

Na bacia do Guariroba, Marcos Andrey comenta que a maior parte das propriedades rurais, at� pelas caracter�sticas de clima e solo, � voltada para a bovinocultura, mas que algumas est�o diversificando suas atividades e cultivando o eucalipto, de forma isolada, ou em um sistema integrado pecu�ria-floresta.

Com essas caracter�sticas na bacia, o coordenador relata que o ?Manancial Vivo? assegura aos produtores participantes um apoio de 40% nas a��es de adequa��o da propriedade para a conserva��o da �gua e do solo, com a execu��o de servi�os de terraceamento e reforma de pastagens, e ainda na conserva��o de �reas de Preserva��o Permanente (APPs).

Al�m deste apoio, o coordenador comenta que o produtor ainda � remunerado pela Presta��o de Servi�os Ambientais (PSA). O c�lculo � feito segundo o tamanho da �rea, por qual atividade ele pretende receber o pagamento e como est� executando o que foi pactuado.

?Os editais do programa preveem tr�s tipos de servi�os ambientais que podem ser remunerados: conserva��o de �gua e solo, que ele oferece adotando boas pr�ticas, e que vai combater a eros�o; recupera��o de matas ciliares e conserva��o de florestas?.

Nestes oito anos de programa, o coordenador recorda que os valores pagos aos produtores pelo PSA, oscilaram de cerca de R$ 10 mil por ano, para donos de �reas com at� 100 hectares, at� R$ 150 mil, para que os que possuem propriedades maiores.

Dos 63 produtores que t�m propriedades na regi�o, Marcos Andrey diz que 45 aderiram a iniciativa, o que representa uma abrang�ncia de aproximadamente 85% da �rea da bacia. ?Entre os produtores que est�o participando, est�o desde os que est�o completando cinco anos de programa e encerram neste ano sua participa��o, j� tendo executado todas as adequa��es necess�rias, at� aqueles que ainda est�o formalizando sua ades�o. Os que completaram o prazo m�ximo de cinco anos dever�o ficar um ano fora e depois poder�o aderir novamente quando um novo edital for lan�ado?, relata.

Entre os produtores que est�o no �ltimo ano de participa��o no programa est� Jesusmar Modesto Ramos. Ele tem uma �rea de 300 hectares, onde mant�m 200 cabe�as de gado. Em sua fazenda est�o localizadas duas pequenas nascentes de um afluente do c�rrego Guariroba. Entre as a��es que executou no local est�o o terraceamento e o cercamento de �reas de nascentes, para evitar que o gado fizesse a dessedenta��o no curso d?�gua.

?O resultado foi muito positivo. Acabei investindo mais do que recebi com o PSA, mas compensou. Melhorou a disponibilidade de �gua na propriedade. Um po�o que tivemos de escavar at� 102 metros para encontrar �gua, depois que fizemos tudo isso, passou a minar a partir de 68 metros. 

Melhorou a infiltra��o de �gua no solo e isso n�o tem pre�o. A pastagem melhorou e, com isso, a quantidade de animais que podemos colocar por hectare. Conforme estipula a legisla��o vou ficar um ano fora do programa e talvez volte em 2019?, destaca.

Outro produtor da regi�o que tamb�m destaca os benef�cios do ?Manancial Vivo? � Luiz Antonio Hort�ncio. Ele � dono de uma �rea de 191 hectares, tamb�m voltada a pecu�ria. Pelo local passa o pr�prio c�rrego Guariroba. ?O grande problema na minha �rea era o acesso dos animais ao c�rrego. Cercamos a �rea para impedir esse acesso. Tamb�m fizemos o replantio de vegeta��o nativa e a implanta��o de curvas de n�vel. Ainda corrigimos o solo com calc�rio. Com isso, melhorou muito a produtividade da fazenda. Estou muito satisfeito com os resultados?, concluiu.

O coordenador do programa diz que a avalia��o dos resultados j� alcan�ados � muito positiva. ?Em rela��o a situa��o que est�vamos h� oito anos avan�amos muito. Temos 100% das �reas de preserva��o permanente cercadas. O gado, em nenhuma propriedade tem acesso aos cursos d?�gua e todos os processos erosivos que identificamos nas propriedades nestes anos est�o resolvidos. Estamos caminhando agora para o saneamento integral da bacia, com a discuss�o de quest�es de esgotamento sanit�rio, de modo a evitar riscos de contamina��o do len�ol fre�tico?.
Fonte: G1 MS
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