Zé Correia, o Rei do Chamamé
2017-10-28 08:54:43
Zé Corrêa tocou profissionalmente durante 10 anos. Apesar de uma carreira curta lançou quase 40 álbuns e compôs 72 músicas

Ele
é uma das figuras mais importantes do chamamé sul-americano, o mais
aclamado do estilo aqui em Mato Grosso do Sul. Hoje em dia é pouco
conhecido, sendo bastante apreciado por quem é do meio. Zé Corrêa nasceu
em Nioaque e nunca teve um professor que o ensinasse a tocar qualquer
instrumento, mas aos 15 anos já era um exímio acordeonista. Se estivesse
vivo ele completaria neste sábado 72 anos.

O
diretor cultural do Instituto do Chamamé de Mato Grosso do Sul, Márcio
Nina, é apaixonado pela história e música de Zé Corrêa. Ele conheceu o
músico através de sua família, que tem o chamamé como estilo preferido.
“Eles passaram esse gosto para mim, é uma herança. Desde criança ouvia
músicos chamamezeiros e o Zé sempre foi uma figura presente no que eu
escutava. Quase não há nenhuma pesquisa sobre ele, por isso resolvi ir
atrás”, afirma. Márcio só tinha um ano quando o músico veio a falecer,
em abril de 1974, com apenas 29 anos.

 


Márcio Nina pesquisa a vida do acordeonista (Foto: Marcos Ermínio)Márcio Nina pesquisa a vida do acordeonista (Foto: Marcos Ermínio)

Com
15 anos Zé já tocava em bailes aqui na Capital. Ele, que nasceu em
Nioaque e cresceu em Maracaju, veio para tentar a vida de músico. Com
esta idade, influenciado por dois amigos paraguaios ele partiu para
Santos. “Seus amigos achavam que por lá ser uma cidade maior, ter mais
gente, eles teriam mais sucesso”, conta Márcio.

Aconteceu
justamente o contrário. “Eles não conhecem muito da nossa cultura e
esse tipo de música é bastante estranha, não curtiram muito por lá. Zé
morou por três anos lá e quando quando se apresentava acabava fazendo um
repertório que não era seu”, relata o pesquisador. Foi então que o
músico resolveu voltar para Campo Grande, onde a aceitação de sua arte
sempre foi maior.

Aqui,
por meio de seu irmão mais velho, ele conheceu Délio, da dupla Délio
& Delinha, que o ouviu tocar e acabou encantado. Pegou Zé e o levou
para São Paulo para ser o acordeonista da dupla no álbum que estava a
lançar.

“Quando
chegou na gravadora o dono não queria que ele tocasse o instrumento no
disco porque já tinha quem o fizesse. Ele queria mandar o músico de
volta pra cá sem mesmo tê-lo ouvido”, pontua Márcio. Délio pediu para
que ele ouvisse o garoto tocando e acabou sendo atendido. “Apresentado
ao Zé ele falou para que tocasse um teclado. Mesmo nunca tendo tocado um
ele encarou o pedido com naturalidade e tocou uma valsa no instrumento
que emocionou a todos”, complementa.

Depois
disso ele gravou seu primeiro disco. No total foram quase 40 em seus 10
anos de carreira, sendo 9 solos, um compacto e outras inúmeras
participações de duplas como Milionário & José Rico, Délio &
Delinha, Crione & Barreirito entre outras. Zé Corrêa compôs 72
músicas durante esse tempo.

Livro

No
primeiro semestre do ano que vem Márcio pretende lançar um livro com
todo o levantamento que tem feito há mais de 15 anos, intitulado “Zé
Corrêa Rei do Chamamé”. Além de toda a trajetória do músico terá um
pouco da história do chamamé. Haverá toda a discografia de Zé e também
as partituras de todas as músicas compostas por ele.

Fonte: CGN
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