Caetano Veloso e outros artistas apoiam juiz da Lava Jato no Rio
2017-08-25 10:16:21
Da esq. para a dir, os atores Maria Padilha, Christiane Torloni, Lucinha Lins, Thiago Lacerda e Paula Burlamaqui e o músico Caetano Veloso apoiam o juiz Marcelo Bretas (de terno)
Procuradores, juízes federais, políticos e artistas participaram no início da noite desta quinta-feira de manifestação em apoio ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela Operação Lava Jato no estado. Entre os artistas que foram à manifestação estão o músico Caetano Veloso e os atores Thiago Lacerda, Marcelo Serrado, Maria Padilha, Lucinha Lins, Christiane Torloni e Paula Burlamaqui.

O magistrado teve várias decisões suas reformadas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As decisões eram relativas à Operação Ponto Final, braço da Lava Jato que investiga corrupção envolvendo políticos, funcionários públicos e empresários de transportes. Gilmar ironizou as decisões, que chamou de “atípicas”, e libertou vários presos pelo juiz, entre eles o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como “Rei do Ônibus” – o ministro foi padrinho de casamento da filha dele, mas não se declarou impedido para atuar no caso.

O presidente da Associação de Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, disse que “está em curso no país uma orquestração contra a magistratura. “Não só a agressão ao Bretas, mas estão sendo tomadas outras medidas, como a (proposta de) Lei de Abuso da Autoridade, para enfraquecer o Judiciário, numa tentativa de intimidação”, afirmou. “Não é possível que um ministro venha agredir verbalmente o trabalho de um magistrado. Ele tem todo direito de reformar decisões, mas deve falar sobre isso através dos autos. Ele tem extrapolado todas as expectativas de um ministro”, disse.

O procurador Sérgio Pinel, que integra o núcleo da Lava Jato no Rio, disse que a atitude do ministro também é contra a sociedade. “Este é um ato em preservação da independência do Judiciário, que é um princípio muito caro para a sociedade”, afirmou. “Ao contrário, todas as garantias e direitos individuais estarão indo por terra. Vejo as declarações do ministro, com adjetivações, com muita preocupação.”

Pinel revelou que uma das manifestações de Gilmar de habeas corpus, que chamava os procuradores de “trêfegos e barulhentos”, virou o nome do grupo de Whatsapp dos procuradores da força-tarefa. “Como bons cariocas resolvemos incorporar o termo e levarmos de forma esportiva. É a nossa melhor resposta”, disse.  O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou os pedidos de suspeição à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.

Também participam do ato o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e os deputados estaduais Marcelo Freixo e Eliomar Coelho, além dos federais Chico Alencar e Alessandro Molon, todos do PSOL.
Fonte: Veja
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