Em Bonito, Ney fal sobre a relação artista/política
2017-07-31 10:20:39
Prestes a completar 76 anos de idade, o bela-vistense Ney Matogrosso voltou a Mato Grosso do Sul para show que fez no Festival de Inverno de Bonito no sábado (29), evento que este ano celebra os 40 anos da criação do Estado.

Ele recebeu imprensa nacional e internacional no hotel em que está hospedado e, apesar de pouco à vontade em alguns momentos, não deixou de dar respostas coerentes e diretas ao que escutou. Aos veículos locais, respondeu à perguntas sobre a cobrança por um posicionamento político, sobre a carreira e sobre a inserção do sertanejo no festival.

Artista e Política
“Eu não acho que artista seja obrigado a estar envolvido com política não. Eu acho que se envolve quem quer. É um direito de cada um”, disse Ney se referindo à cobrança de posicionamento nesse sentido.

As performances ousadas no palco foram provocação à ditadura no passado, porém Ney diz não acreditar que a música e o artista possam transformar os tempos em que vivemos agora.

“Não acho que a música vai fazer uma revolução, ela já fez, mas no comportamento. Não foi só uma vez, foram várias vezes que a música fez revoluções comportamentais, e é nessa que eu acredito”.

Também acabou sendo provocado recentemente, mas pelo cantor Johnny Hooker, que declarou que Ney Matogrosso deveria assumir publicamente sua sexualidade. Ele comentou que não deu importância a isso, e esperou para ver “quanto tempo iria durar”. 

Sertanejo
O artista da MPB ficou surpreso ao saber que a presença do sertanejo no Festival de Bonito incomodou alguns. “Eu acho uma loucura ainda isso causar algum tipo de reação porque [o estilo] faz parte do espectro da música brasileira, e não é uma novidade. Qual é o problema de ele estar aqui? Mas por que não?”.

A dupla Jads e Jadson, que representa o gênero esse ano, foi a que atraiu maior público à Praça da Liberdade, em Bonito. Cerca de 6 mil pessoas foram assisti-los.

Carreira
O disco “Atento aos Sinais” é o mais duradouro trabalho que Ney leva em turnê. Já são 4 anos e meio de shows, segundo ele.

Por enquanto o cantor não pensa em pausá-lo, e diz que prefere ficar sem estabelecer um momento para isso. “Isso que está acontecendo com esse trabalho nunca aconteceu antes [...]. Quando eu penso parar, surgem convites, surgem convites, surgem convites... e eu vou indo”, contou.

Ele falou, ainda, sobre detalhes do novo trabalho.

“E estou fazendo um repertório muito eclético, muito aberto. Ele não tem, assim, uma coisa que diz assim ‘ah, ele é isso’. Ele é muito aberto. Estou anotando tudo o que vou gostando de ouvir. Que pode ser música mais antiga, pode ser música mais recente. Tem uma da Alice Caymmi, que gostei tanto que já está na minha relação. Ouvi ela cantando e falei ‘eu quero cantar isso’. Depois, no final, eu vejo como eu vou organizando um grande rascunho. Lá na frente é que eu vou organizando”.
Fonte: CE
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