Caso Marielle: delegado da PF é acusado de ter recebido propina de R$ 3 mi
2019-11-14 15:37:06
 O delegado de Pol�cia Federal H�lio Khristian de Cunha Almeida, acusado de obstruir as investiga��es no caso Marielle Franco, teria participado de esquema para enterrar inqu�rito aberto contra a Federa��o das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor). A informa��o consta da dela��o do ex-presidente da entidade, L�lis Teixeira, e liga o nome do agente � Lava Jato.

H�lio Khristian foi denunciado em outubro pela ent�o procuradora-geral da Rep�blica, Raquel Dodge, em um dos seus �ltimos atos no cargo.

Segundo a PGR, o delegado teria obstru�do as investiga��es do caso Marielle Franco em esquema montado pelo conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio, Domingos Braz�o, suspeito de ser o mandante do assassinato.

Marielle foi morta com nove tiros em mar�o de 2018.

No relato de L�lis Teixeira, H�lio Khristian teria se envolvido em esquema para beneficiar a Fetranspor em um inqu�rito da Delegacia Previdenci�ria da PF no Rio que investigava supostos crimes cometidos no �mbito da entidade.

Em troca, o delegado teria recebido de R$ 2 milh�es a R$ 3 milh�es em propinas. O caso ocorreu em 2017, afirmou o delator.

A reportagem teve acesso � dela��o premiada de L�lis Teixeira, que tramita em segredo de justi�a. S�o 25 anexos que mostram a suposta atua��o de pol�ticos, servidores da Receita e da Pol�cia Federal, e magistrados do Judici�rio fluminense em prol da Fetranspor em licita��es e processos contra a empresa.

L�lis Teixeira afirma ter sido informado pelo ent�o diretor financeiro da Rio-�nibus, En�as Bueno, sobre a abertura de um inqu�rito na Pol�cia Federal solicitado pelo Minist�rio P�blico Federal contra a Fetranspor.

A informa��o teria sido repassada por um advogado, n�o nomeado na dela��o, que apontou como alvo das investiga��es as empresas de Jacob Barata, o ?Rei do �nibus?, Jo�o Pereira e �lvaro Lopes ? todas associadas � Rio-�nibus.

Segundo L�lis, o advogado teria oferecido uma ?ajuda? que seria destinada ao delegado de Pol�cia Federal respons�vel pelo caso. O objetivo era que o agente ?beneficiasse as empresas investigadas?. O delegado era H�lio Khristian, lotado na Delegacia Previdenci�ria, no Rio.

O delator diz que o esquema foi acertado por En�as Bueno em um almo�o com H�lio Khristian em um restaurante pr�ximo � Pra�a Mau�, onde, segundo soube por Bueno, o diretor teve a ?consist�ncia? de tudo que ficou acordado entre o delegado e o advogado intermedi�rio para a ?solu��o do caso?.

A propina, segundo L�lis Teixeira, teria ficado em torno de R$ 2 milh�es a R$ 3 milh�es, que teriam sido quitados em parcelas. O dinheiro saiu da conta destinada a pagamentos de caixa dois da Fetranspor e entregues ao advogado intermedi�rio do esquema.

Marielle
Al�m da Lava Jato, o delegado H�lio Khristian tamb�m � alvo de den�ncia da Procuradoria-Geral da Rep�blica por supostamente obstruir as investiga��es sobre o assassinato de Marielle.

Segundo a acusa��o movida por Raquel Dodge, o delegado da PF teria integrado esquema que buscou atrapalhar o caso sob ordem de Domingos Braz�o, conselheiro afastado do TCE-Rio e suposto mandante do crime. Ele nega envolvimento no caso.

De acordo com Raquel, foram colhidas provas de que Braz�o teria influ�do no caso para evitar que os culpados pelos assassinatos da vereadora fossem identificados enquanto se buscava incriminar o miliciano Orlando Ara�jo e o vereador Marcelo Siciliano.

A estrat�gia, segundo a procuradora, foi plantar informa��es falsas por meio da Pol�cia Federal, via H�lio Khristian, para que elas chegassem � Pol�cia Civil do Rio.

O plano de Braz�o teria sido realizado por cerca de um ano e envolveu, al�m do delegado Khristian, o policial federal aposentado Gilberto Ribeiro da Costa, ex-funcion�rio do gabinete do conselheiro, o policial militar Rodrigo Ferreira, o ?Ferreirinha? e a advogada Camila Moreira Lima Nogueira.

Condena��o
Khristian foi condenado em 2016 pelo Tribunal Regional Federal da 2.� Regi�o (TRF-2) por supostamente integrar esquema de simula��o de inqu�ritos para cobran�a de propinas de investigados.

No ano seguinte, no entanto, a Corte anulou a condena��o ap�s a defesa alegar que o delegado foi condenado por um crime diferente do que foi denunciado.

A reportagem entrou em contato por e-mail com a Superintend�ncia da Pol�cia Federal do Rio de Janeiro e aguarda resposta. A corpora��o informou que ainda busca contato com o delegado, que se encontra aposentado. A reportagem entrou em contato com a defesa do delegado no caso Marielle, que n�o quis comentar o assunto. O espa�o est� aberto a manifesta��es.
Fonte: EC
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